sexta-feira, janeiro 30, 2026

Aprovada no Senado, o PL da Dosimetria escancara o ‘toma lá, da cá’

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Discurso para inglês ver!

Foram dias de bravatas, gritarias, críticas e até antecipação de votos contrários por parte de governistas e até de senadores considerados do centrão. Mas, no frigir dos ovos, prevaleceu o que se está acostumado a ver no Congresso Nacional: a conveniência política para todos os lados. O PL da Dosimetria, cuja votação estava ameaçada tanto na CCJ quanto no plenário do Senado foi aprovada e, com folga: 48 a 25 e uma abstenção.

Bastidor

Agora a proposta vai à sanção presidencial e, quem votou contrário e se posiciona desde sempre crítico à redução de penas para os anarquistas que vandalizaram a sede dos Três Poderes já acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando inconstitucionalidade e que a decisão seja suspensa. O caso será judicializado e, na outra ponta, aumenta a pressão para que o presidente Lula vete a matéria.

Críticas

Posição que já foi antecipada pela ministra-chefe das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Nas redes sociais, ela criticou a aprovação do projeto e afirmou que condenados por atentar contra a democracia têm de pagar por seus crimes. Adiantou que o presidente deverá vetá-lo e ainda criticou a postura da liderança do governo no Senado, afirmando ser um “erro lamentável”.

Acordo sem acordo

O fato é que o senador Jacques Wagner (PT-BA), líder do governo na casa, fez uma negociação com a oposição – sem a anuência do Planalto – no sentido de liberar os governistas a votarem a favor da Dosimetria tendo a contrapartida do voto favorável da oposição para a proposta que reduz a isenção fiscal a setores da economia. O que, de fato, aconteceu. A proposta do governo foi aprovada, mas essa negociação pode sair caro para Wagner.

‘É golpe!’

Irritado com o “acordo” e como o Senado aprovou uma matéria que favorece diretamente vândalos e defensores de uma tentativa de golpe de estado, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que a proposta nada mais é do que um “golpe parlamentar”, fazendo alusão ao golpe militar de 1964.

Artifícios

De acordo com o senador, “a convulsão que [os réus] esperavam na tentativa de coagir o Judiciário fracassou para pressionar a Justiça. Foram usadas até injustificadas sanções externas, a ressuscitar um vira-latismo incompreensível. Fracassados os meios anteriores, ensaiaram nova conspiração. Aqui dentro do Congresso Nacional, como em 1964, um novo golpe parlamentar pretendendo anistiar novamente, como foram a PEC da bandidagem”, declarou Renan.

Explica Arnaldo!

Todo o esforço do então ministro do Turismo, Celso Sabino, em permanecer no governo, inclusive rompendo com o seu ex-partido, o União Brasil, do qual foi expulso oficialmente na semana passada, foi por água abaixo. Ontem, o Planalto anunciou a sua exoneração depois de o União Brasil – que está rompido com o governo – ter solicitado o cargo, o qual estava em sua cota partidária. Um novo nome já foi até confirmado: o deputado federal Gustavo Damião. Procurado pela Coluna, o partido não se manifestou sobre possível nova aliança com o Planalto.

Quem for podre…

Nova fase da Operação Sem Desconto da Polícia Federal, que investiga fraudes no INSS, prendeu na manhã desta quinta-feira (18) o número 2 do Ministério da Previdência: o secretário-executivo da pasta, Adroaldo Portal. Segundo apurado pela Coluna, ele já foi afastado do cargo. Nessa fase, a PF está cumprindo 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares, em seis estados e mais o Distrito Federal.

…que se quebre

Citado várias vezes nas investigações da PF e em depoimentos na CPMI do INSS, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) é um dos alvos dessa nova fase da operação policial. Ele é vice-líder do governo Lula no Senado e relator de dois projetos importantes: a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF e a revisão da Lei do Impeachment.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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