Velha, nova política
Os prazos eleitorais estão correndo e as articulações de bastidores, também. Este ano de 2026, não será um qualquer: tanto pode agravar a polaridade e hostilidade política que o país atravessa quanto pode criar bases para uma mudança (futura) no pensar político. Mas, só saberemos, vivendo, acompanhando, discutindo e implantando uma nova metodologia política no país. O ano eleitoral chega carregado de um peso extremo: de uma velha política que insiste em fórmulas ultrapassadas e, de uma “nova política” perdida e que adota as mesmas estratégias que critica em atores já consolidados.
Preconceito
Um vídeo publicado nas redes sociais pela primeira-dama, Janja Lula, mostra uma reflexão do presidente Lula em relação à polaridade entre direita e esquerda que o Brasil vivencia. Ao usar o mar como metáfora, Lula pede o fim do preconceito político e afirma que “a onda que vem da direita se junta com a onda que vem da esquerda e constrói o mar”. A frase vem como uma forma de acalmar os ânimos após a polêmica propaganda de final de ano das Havaianas, em que acabou virando narrativa para os seguidores da direita no país.
Disputa presidencial
No meio de narrativas, posts, reflexões, temos uma corrida ao Palácio do Planalto que promete ser uma das mais tensas, disputadas e cobiçadas da última década. Promete. Porque também pode ficar somente no imaginário dos marqueteiros políticos e aliados de plantão. Novos nomes vão surgindo com a missão de vida de derrotar o presidente Lula, que já se mostrou candidatíssimo à reeleição. Um deles, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aparece como principal herdeiro político e com as bênçãos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Missão da semana
E por falar no ex-presidente, a família e a defesa renovam essa semana o propósito de emplacar uma prisão domiciliar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Preso há 51 dias numa cela da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Jair Bolsonaro tem dividido o tempo na prisão com os problemas de saúde e as constantes visitas de médicos e entradas em hospitais da capital federal. A cada episódio envolvendo a saúde do detento acaba sendo combustível para defender uma domiciliar.
Ironias
Mas, como sempre, as redes sociais não perdoam. Internautas comparam o tempo em que o então ex-presidente Lula passou na cadeia, também numa cela da PF, mas em Curitiba (PR) – acusado de corrupção na Lava Jato – com o curto período em que Jair Bolsonaro – condenado por tramar uma tentativa de golpe de estado no país – está vivenciado na prisão. O cerne das críticas é pelo fato de Lula ter aguentado todo o período na cela (580 dias) sem relaxamento de pena ou uma prisão mais branda.
Cenário fértil
Aliás, as redes sociais, potencializadas pela Inteligência Artificial, devem dominar o debate eleitoral neste ano, tendo como atores principais o presidente Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro. As fake news e imagens distorcidas por IA já circulam e dão uma entrada de como poderá ser essa campanha eleitoral presidencial. Quem viver, verá!
Em suspenso
Enquanto isso, nos bastidores das articulações, nomes que aspiravam um lugar ao sol no rol dos presidentes da República começam a minguar, vide Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União), Ratinho Júnior (PSD). O recesso de fim de ano e os últimos acontecimentos políticos do final de 2025 têm contribuído para esse cenário. Mas, nada que o retorno do ano legislativo e político, em fevereiro, não possa dar um gás nas negociações.
Luva de pelica
Numa noite histórica, ontem (11), na premiação “Globo de Ouro”, o filme brasileiro “O Agente Secreto” ganhou na categoria de melhor filme de drama e melhor ator, consagrando o talentoso Wagner Moura com a estatueta. Mas, o que mais chamou a atenção foram os discursos de Wagner e do diretor do filme, Kleber Mendonça Filho, que fizeram uma crítica fina e direta à ditadura que o Brasil atravessou, nem faz tanto tempo assim, e aos ecos desse período sombrio, resgatados pelo bolsonarismo.
‘Ferida aberta’
Sem citar nomes, tanto Moura quanto Mendonça Filho endossaram aos presentes no evento que o ex-presidente de direita, eleito em 2018, foi uma clara manifestação física dos ecos da ditadura, que ainda está muito presente na vida diária do país. “Precisamos de mais filmes sobre a ditadura, que é uma ferida aberta na vida brasileira (…). Se o trauma pode ser passado de geração em geração, os valores também podem”, finaliza Wagner Moura.
Escândalo
A liquidação do banco Master, pelo Banco Central, ainda deve trazer à superfície muitos segredos de gabinete e de corredores do mundo parlamentar. Que se cuidem os aliados e aqueles que favoreceram o crescimento recorde e a olhos vistos da entidade financeira. A imprensa e as autoridades policiais aguardam, com ânsia, os desdobramentos da investigação. Até onde será que vai a fidelidade a Daniel Vorcaro.
César do século 21
Quase dez dias depois da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou com a prisão do ex-ditador Nicolás Maduro, os dois países seguem em alerta, principalmente o lado latinoamericano, que ainda não sabe se é uma nação soberana ou um anexo dos ianques. Enquanto isso, o mundo acompanha estarrecido as bravatas e cruzadas de um Júlio César moderno com arroubos insanos de um imperialismo que não cabe e nem tem espaço no mundo contemporâneo.
Curiosidade
Ah, e por falar em banco Master, a Coluna está extremamente curiosa para saber se realmente a CPI para investigar essa transação financeira suspeita e robusta, com a intervenção de autoridades, vai prosperar no Congresso Nacional. Será?!

