segunda-feira, janeiro 19, 2026

Bomba-relógio, impacto do caso Master será medido após o recesso legislativo

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Festim

Desde o final de 2025, a operação financeira entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília) tem sido alvo de investigações, escândalos e revelado a força do lobby nos corredores da política, em especial, no Congresso Nacional. Liquidado pelo Banco Central e sob a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU), a transação financeira da entidade bancária, sob a tutela de Daniel Vorcaro, pode culminar numa investigação política, por meio de CPI ou CPMI no Parlamento. Pode, não significa que vá se concretizar.

Vontade política

Membros da oposição e até da situação comemoram ter conseguido números suficientes para a instalação de uma comissão parlamentar, tanto na Câmara quanto no Senado. Os deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ), Heloísa Helena (Psol-RJ) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmam já ter em mãos as 171 assinaturas na Câmara e um número considerável no Senado para uma CPI mista. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também está com essa empreitada.

Decisão política

No entanto, seja uma CPI ou CPMI, para que seja instalada de fato tem quer a decisão política de quem comanda o Parlamento. No caso da Câmara, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB). Uma investigação mista pelo Congresso Nacional passa pela anuência do presidente, o senador Davi Alcolumbre (União-AP). Ambas as decisões somente sairão (se sairão), a partir de fevereiro por ocasião do retorno das atividades legislativas.

Peso eleitoral

Nos bastidores em Brasília, analistas acreditam que uma investigação política dessa envergadura pode não prosperar devido ao ano eleitoral. Não porque o escândalo financeiro, da ordem de mais de R$ 12 bilhões e um dos maiores dos últimos tempos, não tenha apelo para uma investigação, mas sobretudo pelo envolvimento de políticos com o banqueiro Daniel Vorcaro que favorecem o lobby em favor da instituição nos corredores do Parlamento.

Viés

Enquanto está na esfera da pressão, a oposição se ampara no pedido de investigação para apurar o envolvimento da mulher do ministro do STF, Alexandre de Moraes, Viviane Morais, que havia recebido valores expressivos por meio de seu escritório de advocacia para defender os interesses de Vorcaro. Também para apurar o grau de envolvimento do próprio STF na questão.

Lobby financeiro

O fato é que o Banco Master é um dos maiores escândalos do sistema financeiro dos últimos tempos, com a compra de títulos inexistentes da instituição por parte do BRB, emissão de créditos fictícios e uso de fundos de empresas interligadas para inflar ativos do banco. No meio desse furacão ainda tem a tensão a ser administrada entre o Banco Central e o TCU, no que diz respeito à decisões do relator do caso, o ministro Jhonatan de Jesus, sobre fiscalização da liquidação do Master por parte da autoridade bancária.

Quinhão

O fato é que com ou sem CPI, o escândalo do banco Master será amplamente usado nos discursos da oposição e até da situação na janela eleitoral e para forçar uma ação mais enérgica do Parlamento em relação ao Supremo Tribunal Federal. No Distrito Federal, por exemplo, o deputado Rodrigo Rollemberg – ex-governador – deve utilizar esse ativo eleitoral contra o atual governador, Ibaneis Rocha (MDB), pré-candidato ao Senado e um dos negociadores da transação frustrada entre o BRB e o Master.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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