Não existe inocente
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o escândalo do banco Master pode ser “a maior fraude bancária da história brasileira”. Liquidado pelo Banco Central ao quebrar depois de ostentar muitas promessas aos clientes, como 140% de rendimentos no CDI, o caso Master deve servir de exemplo para outros tantos bancos digitais que existem no mercado e que prometem mundos e fundos aos clientes e investidores. Imagina-se que o Banco Central e o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) estejam atentos a essas apostas financeiras.
Promessas
O Brasil vive uma explosão de fintechs e bancos digitais no último quinquênio. Propagandas de ganhos rápidos, rendimentos maiores que a poupança e um retorno imediato para quem migrar para essas financeiras podem estar escondendo sérios e graves problemas de liquidez, como alerta o economista aposentado do BC, Newton Marques.
Jabuti
O pecado do Master foi prometer cerca de 140% de retorno no CDI, quando nenhuma instituição financeira pratica uma oferta tão agressiva, observou Marques. “Isso é um rendimento bem acima do que o mercado paga. “Se está oferecendo é porque deve estar com problema de liquidez e querem captar de qualquer maneira”, frisou o economista.
Nada é de graça
Clientes e investidores têm que desconfiar quando instituições bancárias e financeiras prometem um retorno elevado e rápido do que está se praticando no mercado. O caso do banco Master acende um alerta para que o Banco Central fique atento às movimentações das diversas fintechs e agências digitais no país. “Se os bancos digitais estão oferecendo uma rentabilidade bem acima do mercado, pode desconfiar de problemas de liquidez e pode ser um candidato a quebrar no futuro”, afirma o economista.
Não há ingênuos
Embora tenha vindo à tona esse escândalo, que pode ser considerado a maior fraude bancária que o Brasil já vivenciou, não tem como acreditar que o Banco Central e o FGC não sabiam o que estava acontecendo nos bastidores. Apuração da Coluna aponta que muitos atores e personagens estão envolvidos, tipo junto e misturado, nesse escândalo financeiro. Uma fonte chegou a afirmar que todos sabiam do que estava acontecendo e da bomba que iria estourar. “Isso é desculpa dizer que não sabia ou foi enganado.”
Investigação
A Polícia Federal cumpre, agora pela manhã em cinco estados, mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero que tem o banco Master como principal alvo. As buscas estão sendo realizadas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e parentes dele, como o pai, a irmã e o cunhado em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Nesse bolo, também está como alvo o empresário Neson Tanure, bem conhecido do meio empresarial do país.
Comissão
Já uma investigação parlamentar, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, vai depender da vontade política de ambos os presidentes do Legislativo, uma vez que assinaturas e pressão para que seja instalada uma CPI ou CPMI já está na rua. O deputado federal pelo Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), confirmou à Coluna que já conseguiu assinaturas suficientes para uma CPI do Banco Master na Câmara, mas o pedido somente será formalizado em fevereiro, no retorno dos trabalhos legislativos.
Novo ministro
Deve ser publicada hoje (14) em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) a nomeação do advogado Wellington César Lima e Silva para o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. Ele ocupava o cargo de advogado da Petrobras e recebeu o convite do presidente Lula para assumir a função, que estava vaga após o pedido de demissão do então ministro Ricardo Lewandowski.

