O pesadelo da Papuda
Diz o ditado popular que o peixe morre pela boca. Clichê, a frase tem se ajustado como uma luva em várias situações envolvendo figuras, personalidades e autoridades da história contemporânea do país. Exemplo emblemático é a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da cela da Superintendência da Polícia Federal para uma na Papudinha – prédio localizado dentro da Papuda, penitenciária federal de segurança máxima localizada no Distrito Federal. O maior medo de Bolsonaro, sua família e aliados se concretizou.
A vida como ela é
Mas não é só isso que chama a atenção: quando presidente e até mesmo deputado federal, Jair Bolsonaro se ancorou no discurso radical de que prisão não é colônia de férias e que presos, quaisquer que sejam, não têm direitos. Claro, quem tá preso, condenado, algum crime cometeu e tem que pagar por isso. A questão aqui são as ironias que a vida traz para quem fala demais.
Igual para todos
Em seu despacho, ao determinar a transferência do ex-presidente para uma cela de estado maior na Papudinha, onde já está desde ontem (15), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, usou uma frase do próprio Bolsonaro para afirmar que “prisão não é colônia de férias” e que, mesmo com condições diferenciadas de outros presos, o ex-presidente não cumpre pena em um ambiente de lazer ou conforto.
Perderam a chance
Nos 53 dias em que esteve preso na cela da superintendência da PF, não era raro e diário reclamações da família e de aliados das condições físicas do local onde Bolsonaro cumpria a pena por tentativa de golpe de estado. As reclamações iam desde o tamanho da cela, ao barulho do ar-condicionado, às refeições que ele descartou e até mesmo pequenos confortos como uma Smart TV com acesso ao Youtube.
Rotina na prisão
Apesar disso, na Papudinha, Bolsonaro terá à disposição uma cela cinco vezes maior que a que ocupava na PF. Terá ainda cinco refeições diárias, banho de sol e espaço para exercícios, além da visita semanal da mulher e filhos e ainda acompanhamento de sua equipe médica, para monitorar os problemas de saúde. Mas, não terá o benefício da Smart TV. Moraes também acatou o pedido da defesa do ex-presidente para a remissão da pena em caso de leitura de livros. Um deles que está na lista é o premiado “Ainda Estou Aqui”.
Recriar estratégia
A transferência de Bolsonaro para a Papudinha acabou sendo um balde de água fria no pleito da família e de sua defesa: quase que semanalmente apresentavam pedidos junto ao STF requerendo prisão domiciliar para o ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses por tramar um golpe de estado no país.
Reação filial
Os filhos de Bolsonaro não deixaram barato. Nas redes sociais criticaram mais essa medida do Judiciário e lamentaram o pai não lograr uma prisão domiciliar. “Ele não tem que ir para presídio nenhum, tem que ir para casa. Isso é uma perseguição política e uma tortura psicológica diária”, disse Carlos Bolsonaro. Dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro afirmou que a decisão de Moraes é de uma “psicopatia” e que a prisão tem um único objetivo: tirar seu pai da corrida presidencial e de influenciar as eleições 2026.
Doa a quem doer!
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o colegiado vai fiscalizar e cobrar explicações dos envolvidos no escândalo do Banco Master no retorno das atividades legislativas. “O Senado não se curva a abusos do sistema financeiro. Vamos fiscalizar, cobrar explicações e proteger a economia do país sem blindar quem quer que seja, esteja onde estiver.”

