segunda-feira, janeiro 19, 2026

Quando o mundo gira na política, é algo sintomático

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O pesadelo da Papuda

Diz o ditado popular que o peixe morre pela boca. Clichê, a frase tem se ajustado como uma luva em várias situações envolvendo figuras, personalidades e autoridades da história contemporânea do país. Exemplo emblemático é a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da cela da Superintendência da Polícia Federal para uma na Papudinha – prédio localizado dentro da Papuda, penitenciária federal de segurança máxima localizada no Distrito Federal. O maior medo de Bolsonaro, sua família e aliados se concretizou.

A vida como ela é

Mas não é só isso que chama a atenção: quando presidente e até mesmo deputado federal, Jair Bolsonaro se ancorou no discurso radical de que prisão não é colônia de férias e que presos, quaisquer que sejam, não têm direitos. Claro, quem tá preso, condenado, algum crime cometeu e tem que pagar por isso. A questão aqui são as ironias que a vida traz para quem fala demais.

Igual para todos

Em seu despacho, ao determinar a transferência do ex-presidente para uma cela de estado maior na Papudinha, onde já está desde ontem (15), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, usou uma frase do próprio Bolsonaro para afirmar que “prisão não é colônia de férias” e que, mesmo com condições diferenciadas de outros presos, o ex-presidente não cumpre pena em um ambiente de lazer ou conforto.

Perderam a chance

Nos 53 dias em que esteve preso na cela da superintendência da PF, não era raro e diário reclamações da família e de aliados das condições físicas do local onde Bolsonaro cumpria a pena por tentativa de golpe de estado. As reclamações iam desde o tamanho da cela, ao barulho do ar-condicionado, às refeições que ele descartou e até mesmo pequenos confortos como uma Smart TV com acesso ao Youtube.

Rotina na prisão

Apesar disso, na Papudinha, Bolsonaro terá à disposição uma cela cinco vezes maior que a que ocupava na PF. Terá ainda cinco refeições diárias, banho de sol e espaço para exercícios, além da visita semanal da mulher e filhos e ainda acompanhamento de sua equipe médica, para monitorar os problemas de saúde. Mas, não terá o benefício da Smart TV. Moraes também acatou o pedido da defesa do ex-presidente para a remissão da pena em caso de leitura de livros. Um deles que está na lista é o premiado “Ainda Estou Aqui”.

Recriar estratégia

A transferência de Bolsonaro para a Papudinha acabou sendo um balde de água fria no pleito da família e de sua defesa: quase que semanalmente apresentavam pedidos junto ao STF requerendo prisão domiciliar para o ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses por tramar um golpe de estado no país.

Reação filial

Os filhos de Bolsonaro não deixaram barato. Nas redes sociais criticaram mais essa medida do Judiciário e lamentaram o pai não lograr uma prisão domiciliar. “Ele não tem que ir para presídio nenhum, tem que ir para casa. Isso é uma perseguição política e uma tortura psicológica diária”, disse Carlos Bolsonaro. Dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro afirmou que a decisão de Moraes é de uma “psicopatia” e que a prisão tem um único objetivo: tirar seu pai da corrida presidencial e de influenciar as eleições 2026.

Doa a quem doer!

Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o colegiado vai fiscalizar e cobrar explicações dos envolvidos no escândalo do Banco Master no retorno das atividades legislativas. “O Senado não se curva a abusos do sistema financeiro. Vamos fiscalizar, cobrar explicações e proteger a economia do país sem blindar quem quer que seja, esteja onde estiver.”

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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