CPMI do INSS termina distorcida e com sinais evidentes de fracasso

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Força oculta

O trator político-jurídico foi maior que a vontade política da cúpula da CPMI do INSS em estender as investigações do colegiado por, pelo menos, dois meses. Não deu. Agora pela manhã, a comissão se reúne no Senado para a leitura do relatório final do deputado federal Alfredo Gaspar, atual PL, e possível votação do parecer. A medida atende à decisão da maioria do STF, que derrubou a liminar do ministro André Mendonça que dilatava o prazo. O governo e a oposição agradecem. Menos uma dor de cabeça em ano eleitoral.

Querer, não é poder

A CPMI iniciou com pompa e circunstância e um discurso firme e duro da cúpula da comissão, que prometia uma investigação profunda do roubo bilionário e escancarado imposto aos milhares de aposentados e pensionistas desse país. Cada sessão era uma performance do relator na inquisição dos depoentes. Muitas falas e fatos que vieram à tona, uma proliferação de informações e dados escandalosos, até surgir a fraude do banco Master, a pá de cal da investigação.

Valsa

Mas, ao final, será se o relatório vai realmente apontar possíveis indiciados? corruptos? responsáveis pela condução de uma fraude escandalosa, um roubo escancarado? E a prática do crédito consignado ofertada por bancos e financeiras, qual a conclusão? Ao final, Crefisa, Master, e afins não conseguiram explicar essa vertente da investigação, que acabou se enrolando na própria vaidade do colegiado.

‘Liberdade’

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve começar, hoje (27), a cumprir a prisão domiciliar temporária de 90 dias, após receber alta hospitalar. Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tramar um golpe de estado no país, ele já está há quatro meses cumprindo a pena, mas uma boa parte desse tempo tem sido em internações num hospital privado de Brasília. Após diversas tentativas e várias internações, a defesa do ex-presidente conseguiu sensibilizar o ministro Alexandre de Moraes a conceder a domiciliar. Mas, conforme frisa o documento: temporária por um período de três meses.

Coro

Com a concessão da prisão domiciliar a Bolsonaro, políticos do PT apresentaram um habeas corpus no STF solicitando o mesmo benefício para presos maiores de 70 anos ou com doenças graves. O posicionamento tem ganhado adesão entre aliados e endossada por juristas, como o advogado Kakay. Num artigo de sua autoria, ele afirma que é necessário cobrar do Poder Judiciário uma atitude humanitária nesse sentido. “Vamos fazer um mutirão e ter uma ideia exata de quantos  brasileiros presos têm direito a domiicliar, à mudança de regime ou mesmo à liberdde. Pleitear prisão domiciliar sí pra o fscista que sempre apoio a miserabilidade ds pisões é uma lástima.”

Ensaio

O ex-senador Romero Jucá, medalhão do MDB de Roraima, já prepara seu retorno ao Congresso Nacional. Numa campanha ostensiva do partido, ele se coloca como uma voz forte na defesa dos interesses de seu Estado e personagem principal no retorno do protagonismo de Roraima no cenário naconal. A articulação do MDB é elegê-lo deputado federal nas eleições de outubro.

Manipulação política

A eleição de 2026 deve protagonizar um fato curioso e ostensivo na política tupiniquim: políticos que se elegeram e se tornaram conhecidos em suas bases, mas que por falta de espaço e força, estão migrando, na cara dura, para outros estados com a intenção de se eleger a um cargo eletivo. Assim o estão fazendo Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio e que se vende como candidato em Santa Catarina; o deputado federal Hélio Negão, do PL do Rio, que agora quer se eleger por Roraima e o ex-deputado federal Cabo Daciolo, aposta do Solidariedade para o Senado pelo Amazonas.

Adversários

Além de ser uma região que não conhece e que não é tão conhecido do eleitorado, Daciolo terá que enfrentar pesos pesados na disputa ao Senado pelo Amazonas. As pesquisas recentes mostram o favoritismo do atual senador, Eduardo Braga (MDB), e do deputado federal Capitão Alberto Neto (PL). A presença do governador Willson Lima (União) nessa disputa ainda é uma incógnita.

Novo ninho

O deputado federal André Janones se filiou à Rede Sustentabilidade nesta semana em Brasília com o discurso de fortalecimento do partido em Minas Gerais, sua base eleitoral, e de olho em sua reeleição na Câmara dos Deputados. Nos bastidores, no entanto, o fuxico é que o político tem pretensão de uma eventual candidatura ao governo de Minas, com as bênçãos do presidente Lula. Ele vai ter que combinar com o senador Rodrigo Pacheco (PSD).

Não é pra amador

E o Rio de Janeiro, hein gente? Aquilo lá é pra político experiente e tarimbado. Vamos acompanhar os próximos capítulos dessa novela fluminense.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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