Na política, nenhum agente é inocente e não entra para perder

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Estratégia pré-eleitoral

O saldo da janela partidária, finalizada anteontem, revela que a cada ano eleitoral os interesses políticos ficam mais fortes, evidentes e partidos e atores eleitorais não entram no jogo para perder. De Norte a Sul do país, o que se viu nas últimas semanas foram verdadeiras estratégias de xadrez, manobras, cálculos e artimanhas para sair na frente em relação aos adversários. Tudo em vista do protagonismo político em outubro próximo.

Manobra

Pelo menos 11 governadores renunciaram aos respectivos mandatos de olho em vagas no Senado e na presidência da República; outros tantos prefeitos, país afora também. Diversas mudanças no primeiro e segundo escalão dos governos estaduais também por conta de projetos eleitorais. Mas, um estado em específico chamou a atenção: o Amazonas.

Xeque-mate

Lá, a manobra foi no fim do prazo da janela partidária, quase ao raiar do dia 5, com a renúncia, em dose dupla, do governador Wilson Lima (União) e do vice, Tadeu de Souza (PP), que esperaram até o último minuto e acompanharam todos os passos dos adversários para anunciar a grande notícia de que vão, sim, disputar o pleito de 2026. Lima para o Senado e Souza, para a Câmara dos Deputados. Dias antes, o então prefeito, David Almeida (Avante), também renunciou ao mandato de olho no Palácio do Governo.

No páreo

Com a renúncia de ambos, assume o governo de forma interino o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Roberto Cidade (União), que vê nessa oportunidade a chance de disputar o governo do Amazonas nessas eleições. Mas, ele terá que combinar de perto e ao pé do ouvido com os demais atores políticos desse game.

Jogo

Nos bastidores, há quem aposte que o mentor intelectual dessa manobra teria sido o senador Omar Aziz (PSD), que é pré-candidato ao governo e se apoiaria numa eleição suplementar para chegar mais rápido ao Executivo e, assim, disputar a reeleição em outubro. A Coluna procurou Omar que, por meio de sua assessoria negou tal articulação.

Disputa hercúlea

A Coluna já havia antecipado na semana passada que o futuro político-eleitoral do então governador Wilson Lima ainda não estava sacramentado, como ele estava fazendo questão de disseminar diariamente em seus discursos. Após reunião partidária com o presidente, Antônio de Rueda, os caminhos ficaram mais claros. Agora, o ex-governador tem à frente como principais adversários ao Senado o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) e o senador Eduardo Braga (MDB-AM). A briga será grande.

Competitivo

A manobra política no Amazonas foi a forma que o União Brasil encontrou para se manter competitivo naquele estado, uma vez que no saldo geral da janela partidária, a sigla foi apontada como uma das que mais perdeu espaço na Câmara dos Deputados. O que a direção da legenda rechaça. Em nota distribuída à imprensa, o partido de Antônio de Rueda afirma que a bancada se mantém fortalecida com parlamentares de diferentes estados e com políticos de envergadura regionais e nacional. “O União Brasil reúne 51 parlamentares, com presença nacional e capacidade efetiva de articulação política”, finaliza a nota.

De orelha a orelha

Mas quem está rindo à toa com o saldo da janela partidária é o Podemos, que agora conta com 27 representantes na Câmara dos Deputados e comemora o avanço de sua bancada federal sob o comando da presidente, a deputada, Renata Abreu. O partido soltou uma nota nominando sua base na casa legislativa e reforçando o compromisso da sigla no êxito político nos estados.

Aspirantes

Entre os 11 governadores que renunciaram ao mandato, como o do Acre, Gladson Cameli; o do Mato Grosso, Mauro Mendes; e o do Pará, Helder Barbalho, chama a atenção que Tarcísio de Freitas, o poderoso governador de São Paulo refletiu com seus botões, analisou os movimentos do seu grupo político e chegou à conclusão que ele sairia mais feliz se disputasse a reeleição do mandato. Portanto, no apagar da luzes, ele apenas confirmou o que já se sabia desde o 2025, de que não iria disputar a presidência da República.

Nada é certo

Todas essas articulações realizadas até o último dia 4, com vistas às eleições, terão que se confirmar entre 20 de julho e 5 de agosto, durante as convenções partidárias para ratificar os reais candidatos nas disputas, sejam para cargos proporcioais quanto majoritários. Até lá, muito nervosismo, reuniões, articulações e tensões terão nas cúpulas dos partidos e das respectivas pré-campanhas.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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