Bolsonaro se apega à pesquisa, mas decisão sobre prisão domiciliar será técnica

Compartilhe

Recorte do momento

Prestes a completar um mês em prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro vê nas pesquisas de opinião uma esperança para se manter nesse status ad aeternum após finalizar o prazo inicial de 90 dias, concedido pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Pesquisa divulgada neste domingo (12) pela Datafolha revela que 59% dos entrevistados apoiam a domiciliar em vez do regime fechado. Os entrevistados mais jovens, no entanto, são favoráveis que o ex-presidente retorne à cadeia.

Fio de esperança

Mas, a manutenção ou não de uma domiciliar, que pode ser renovada ou baixada em meados de junho, vai depender da perícia médica em Bolsonaro para avaliar a evolução do seu estado de saúde e o impacto nela nesses 90 dias preso em casa. A família está otimista que o ex-presidente – condenado a 27 anos e três meses por tramar um golpe de estado – seja mantido preso no conforto do lar. E estão trabalhando para que esse cenário permaneça.

Fôlego

Em outra frente, o herdeiro político do clã, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se convence a cada dia que pode embaralhar o processo sucessório com sua pré-candidatura a presidente da República. Pesquisas recentes mostram o avanço de seu nome entre o eleitorado e chances reais de disputar o segundo turno com o presidente Lula, pré-candidato à reeleição. Até às convenções, o tabuleiro presidencial promete estratégias de jogos espetaculares.

Agora vai

Aspirante à vaga aberta no STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, será sabatinado no Senado no próximo dia 29. Indicado do presidente Lula, ele passará pelo crivo dos senadores em audiência na CCJ da casa e, em seguida, em votação no plenário. A data foi acertada entre o relator, o senador Weverton (PDT-MA), e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).

Cadeira cobiçada

Mas outra vaga está gerando uma disputa bem mais acirrada entre deputados federais. Trata-se da cadeira aberta no Tribunal de Contas da União (TCU) com a aposentadoria do então ministro, Aroldo Cedraz, em fevereiro deste ano. O favorito, em acordo costurado entre o governo e o presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), é o deputado Odair Cunha (PT-MG), mas outros seis nomes estão no páreo e todos passarão por sabatina na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara nesta segunda-feira (13).

Concorrência

Os adversários de Cunha são os deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP); Danilo Forte (PP-CE);
Elmar Nascimento (União-BA); Gilson Daniel (Podemos-ES); Hugo Leal (PSD-RJ) e Soraya Santos (PL-RJ). A votação em plenário para ratificar o nome do novo ministro do TCU acontece amanhã (14).

Na pauta, de novo

O debate sobre a cura gay deve voltar a movimentar as conversas no país nos próximos dias. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu levar para o plenário físico o julgamento de ações que contestam a resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que proíbe a associação entre prática profissional e crenças religiosas. O assunto movimentou diversas discussões e pontos de vista no Brasil, há 3 anos, e promete ressuscitar novos embates em ano eleitoral.

É justo

Lideranças indígenas defendem que as autoridades instalem a Comissão Nacional Indígena da Verdade, pois entendem que há uma invisibilidade das vítimas indígenas nos relatórios oficiais de anistia. A cobrança foi feita na semana passada, durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados.

Denúncia

De acordo com as lideranças, muitas das atrocidades cometidas contra os povos tradicionais durante o regime militar aconteceram por ocasião de obras federais em rodovias e instalação de mineradoras em terras indígenas. Um dos casos que veio à tona foram a quase extinção do povo Jauí, no Amazonas, durante a abertura da BR-230 pela empresa Paranapanema.

É muito justo

Tramita na Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados o projeto de lei 886/2025, de autoria do deputado federal Duda Ramos (Podemos-RR), que estabelece dentro da lei que ampara a CLT uma folga remunerada no dia do aniversário do trabalhador. A proposta tem como relator o deputado federal Túlio Gadêlha (Rede-PE). Em algumas empresas privadas de Brasília e de outros estados, a prática já é adotada e chamada de day off. O benefício, se aprovado, será bem vindo entre os trabalhadores.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

Leia mais

Mais do assunto