Sangue nos olhos
A oposição bolsonarista inicia o segundo semestre legislativo com sede de vingança e promete não deixar barato a prisão domiciliar de seu líder máximo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele começou a cumprir, desde o final da tarde de ontem (4), a medida restritiva unilateral decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
No olho do furacão
Embora os alvos da sanha bolsonarista sejam Moraes e o presidente Lula, outros dois personagens não vão passar incólumes neste resto de ano. Aliás, ambos serão primordiais para que os planos da oposição se concretizem no sentido de “vingar” o chefe: os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Pressão
A cobrança da oposição será retomada nesta terça-feira (5) por conta do retorno das atividades legislativas tanto na Câmara quanto no Senado. Os bolsonaristas têm dois projetos de vida nesta reta final de 2025: aprovar uma anistia geral para os acusados e condenados nos ataques do 8 de janeiro de 2023 e o impeachment de ministros do STF, com destaque para Alexandre de Moraes. E tudo isso passa pela boa vontade política de Motta e Alcolumbre.
Restrições
A partir de agora e por tempo indeterminado, Jair Bolsonaro está preso em sua própria casa. Não pode sair, não pode usar redes sociais, não pode usar aparelho celular e visitas somente de advogados estabelecidos nos autos do processo e, de familiares, apenas com autorização prévia, além de continuar com a tornozeleira eletrônica. A decisão do ministro Alexandre de Moraes está sendo classificada como “arbitrária” por seus aliados, que prometem reação imediata.
Revolta
As redes sociais foram inundadas, ontem (4), com o posicionamento de diversos aliados do ex-presidente e também de seu partido, o PL. A senadora Damares Alves (Republicanos-PB), que postou no domingo a foto em que mostra Bolsonaro fazendo a live direto de sua casa, afirmou o país passa por mais um “capítulo vergonhoso de nossa história recente, na qual juízes se comportam como perseguidores de quem consideram adversários políticos”. Ela cobra uma atitude enérgica do Congresso Nacional.
Punição
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) também está com uma série de restrições legais aplicadas pelo ministro Alexandre de Moraes após descumprir ordem do STF e viajar com passaporte diplomático para passar férias nos Estados Unidos com a família. Ao desembarcar, ontem (4) em Brasília, ele foi levado diretamente à Secretaria Penitenciária do Distrito Federal para colocar tornozeleira eletrônica.
Magnistsky tupiniquim
Além da tornozeleira, o senador teve o passaporte diplomático cancelado, suas contas bancárias, chaves-pix, investimentos, cartões de créditos, imóveis, veículos, embarcações e aeronaves bloqueados. Seus vencimentos e verbas de gabinete também foram boqueados. A sua defesa emitiu nota contestando as medidas, uma vez que do Val não é réu e, sequer foi condenado, além de que todas as medidas acabam inviabilizam seu mandato parlamentar.
Conselhão
O presidente Lula participa na manhã desta terça-feira (5) da abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Palácio Itamaraty, em Brasília. O órgão, composto por representantes da sociedade civil, é responsável pelo assessoramento do presidente da República na formulação de políticas públicas e diretrizes de governo. O vice-presidente Geraldo Alckmin, e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também estarão presentes.
Justiça tributária
A Coalizão Reforma Tributária 3S (Solidária, Saudável, Sustentável) comemora a aprovação do parecer do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) sobre o PL 1087/2025), que amplia a faixa de isenção do imposto de renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil. Mas o grupo, que integra várias entidades da sociedade civil, defende que esse debate avance mais ainda.
Pontapé
Em nota, o coletivo afirmou que essa proposta, em tramitação na Câmara dos Deputados, tem de ser encarada como um ponto de partida e convoca todas as organizações, movimentos e pessoas comprometidas com a democracia e os direitos sociais a se mobilizarem ativamente neste próximo período. “Seguiremos pressionando o Congresso para que a proposta final reflita o princípio de solidariedade, um dos pilares fundamentais de um sistema tributário verdadeiramente justo.”