sexta-feira, agosto 29, 2025

O vexame da liderança do governo e um racha à vista entre os Bolsonaros…

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Nau à deriva

Não se sabe o que mais movimentou o noticiário, ontem (20): se a derrota do governo na condução da CPMI do INSS, expondo uma falta de liderança dos presidentes do Parlamento federal e dos líderes do governo em ambas as casas legislativas ou o mais novo capítulo policial envolvendo a família Bolsonaro.

Situação complica

O fato é que o Inquérito 4995 da Polícia Federal, divulgados na noite de ontem, expõe um submundo cada vez mais difícil de os Bolsonaro sustentar e negar diante das câmeras. Diz o ditado que contra fatos não há argumentos. Quem leu os autos e escutou os áudios entre o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e ainda os do Pastor Silas Malafaia, recuperados pela PF no celular apreendido do ex-presidente, verifica-se o desespero por conta do descontrole dos planos traçados.

Mais denúncias

O novo indiciamento de Bolsonaro pai e filho pela PF devido à atuação do deputado licenciado nos Estados Unidos em detrimento do ex-presidente e contra seu país deixa a família mais isolada, mesmo que os aliados mais próximos tentem minimizar a situação. A tensão exposta entre eles e a interferência do pastor Silas Malafaia, vindas à tona na investigação, deixa Jair Bolsonaro num beco sem saída.

Sem medo

Após ser abordado e ter seu passaporte retido no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, o Pastor Silas Malafaia desafiou as instituições e afirmou, irritado em entrevista, que não vai parar e que venham prendê-lo. Depois, gravou um vídeo chamando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de ditador.

Fuga do país

A retirada do sigilo do inquérito revela que, de fato, o ex-presidente planejava fugir do país. Uma minuta encontrada na perícia do celular de Bolsonaro, apreendido no início do mês, expõe o pedido de asilo político que havia formulado, endereçado ao presidente da Argentina, Javier Milei.

Sem saída

As conversas reveladas entre pai e filho também deixa Eduardo Bolsonaro numa situação delicada nos Estados Unidos. Em determinada conversa, ao ofender o pai com palavras de baixo calão e chamá-lo de “ingrato”, ele o culpa por estar fora de seu país e que as atitudes do ex-presidente pode condená-lo a ficar o resto da vida “nesta porra aqui” (sic). Sobrou até para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Em xeque

A manobra da oposição no Congresso Nacional, que ontem emplacou presidente e relator para a CPMI do INSS não é apenas uma derrota do Planalto, mas também expõe a falta de traquejo político do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), falha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e total falta de liderança dos líderes do governo no Congresso, nas figuras do senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) e o deputado José Guimarães (PT-CE).

Mea culpa

À jornalistas, Randolfe chamou para si a responsabilidade e disse que a CPMI não será usada como instrumento político e nem servirá de likes para a oposição. Mas o estrago já está feito. O senador Omar Aziz (PSD) e o deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO), que acordaram presidente e relator da comissão, inclusive já adiantando pontos de como seriam os trabalhos e foram surpreendidos com um acordo falho e não amarrado entre as lideranças das duas casas legislativas.

‘Subestimaram a oposição’

A declaração é do deputado federal Pauderney Avelino (União-AM), aliado de Omar Aziz, em relação ao revés do governo na CPMI do INSS. À Coluna, ele afirmou que houve uma total falta de coordenação do governo, uma vez que o senador do Amazonas havia sido indicado ao cargo antes do recesso parlamentar. Sem criticar diretamente os presidentes das duas casas legislativas, afirmou que não lembra de ter visto nada igual em todo o tempo de seu mandato parlamentar.

Vitória

Líderes da oposição comemoraram o êxito, em eleger o senador Carlos Viana (Podemos-MG) e o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), presidente e relator, respectivamente. Em nota, o líder da oposição na Câmara, deputado federal Zucco (PL-RS), afirmou que a derrota do governo garante que a investigação na CPI não “acabe em pizza”. Já Sóstenes Cavalcante, deputado e líder do PL na Câmara, deu a deixa que de as duas indicações foram articuladas até às 3h da madrugada. “Agora teremos uma CPMI.”

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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