Terceira via num processo eleitoral é apenas palavra de expressão

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Cenário estabelecido

Não adianta surgir dezenas de pré-candidatos ao Palácio do Planalto, com discurso de terceira via, alternativa eleitoral, etc, etc e etc. A polarização política sempre será a tônica do processo eleitoral. E nas eleições de 2026 não será diferente. Embora alguns nomes já estejam no páreo da disputa presidencial, o cenário se desenha para uma disputa épica entre o lulismo e o bolsonarismo, acirrando ainda mais a dualidade política que o país atravessa há quase uma década.

Pré-candidato

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que renuncia nesta terça-feira (31) o mandato político conseguiu, finalmente, emplacar seu nome para a cadeira de Lula. Ele, que vinha pressionando por isso desde o ano passado, quando ainda estava no União Brasil e, até chegou a oficializar seu nome como pré-candidato à disputa, acabou ganhando a corrida interna com o concorrente, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Essa “troca”, no entanto, vai custar politicamente para o partido comandado por Gilberto Kassab.

No páreo

No imaginário popular, os políticos não costumam muito se preocupar com a imagem que passam à população ou o impacto que seus atos e decisões possam causar no cliente final. Eles costumam pagar para ver. E é justamente o que o PSD está fazendo. Na avaliação da cúpula do partido, Ronaldo Caiado tem chances reais de embaralhar o processo eleitoral, disputar o eleitorado da direita e competir de igual com o presidente Lula. O que se saberá, de verdade, durante a campanha eleitoral.

Laranja

O discurso direitista de Caiado, ao ser oficializado pré-candidato, corrobora com as críticas que Eduardo Leite fez ao partido, ontem. Na opinião do gaúcho, quando o PSD opta por um nome tradicional, colabora com o conservadorismo e favorece a polarização no país. Nas entrelinhas, é como se Ronaldo Caiado fosse apenas uma mola que pode impulsionar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

Recado

O presidenciável já mandou o recado: se eleito, vai concretizar a anistia ampla, geral e irrestrita – pauta do bolsonarismo -, além de focar sua gestão no combate à criminalidade e revitalização da segurança pública do país. Crítico da PEC da Segurança Pública, projeto do governo federal que tramitou no Congresso Nacional, Caiado deve implantar suas próprias leis nesse sentido.

Esvaziamento

Até o próximo sábado (4), data em que se encerra a desincompatibilização de agentes públicos que queiram disputar um cargo eletivo, haverá muitas mudanças nas gestões federal, estaduais e municipais. Um grande exemplo é o governo Lula, quando cerca de 20 ministros devem entregar os respectivos cargos para a disputa eleitoral. Boa parte tem mandatos eletivos e estavam de licença para os cargos ministeriais.

Alinhamento

Já está acontecendo, no Palácio do Planalto, uma ampla reunião entre o presidente Lula e os ministros que irão deixar a Esplanada dos Ministérios e os respectivos sucessores. Na pauta, balanço das gestões e passagem de bastão para os que irão terminar os trabalhos nos ministérios até final de dezembro. Entre as baixas estão Marina Silva (Meio Ambiente), Fernando Haddad (Fazenda), Camilo Santana (Educação), Renan Filho (Transportes) e Rui Costa (Casa Civil), para citar alguns.

Despedida

Ministro da Indústria e Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB) também entrega o cargo para ficar apenas na vice-presidência, cargo que deve disputar, novamente, com Lula nas eleições de outubro. Para encerrar seu mandato no ministério, Alckmin presidiu a 322ª reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), ontem em Manaus, destacando o protagonismo, a força e os investimentos que o modelo Zona Franca tem recebido para a expansão da economia da Amazônia Ocidental.

ZFM protagonista

Presente à reunião, o decano da Câmara dos Deputados, Átila Lins (PSD-AM), destacou a importância do polo industrial e reforçou o compromisso da bancada federal com o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus. Segundo ele, o Amazonas viveu anos de tranquilidade, sem sobressaltos, com crescimento e desenvolvimento contínuos da Zona Franca durante a gestão do presidente Lula. Na reunião, foram analisados 83 projetos industriais, que somam investimentos de R$ 1,17 bilhão e a previsão de geração de cerca de 2.880 empregos diretos.

Obra encantada

Antes de entregar o cargo de ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB) assina, em reunião com a bancada federal do Amazonas, as ordens de serviços para a revitalização da ponte sobre o rio Igapó e dois lotes da BR 174, que liga Manaus a Boa Vista e, o aviso de licitação do trecho do meio BR-319 (Manaus-Porto Velho). Esse trecho da rodovia federal tem sido o calcanhar de Áquiles dos amazônidas e de todos os governos federais que já passaram pelo país nos últimos 40 anos. Veremos!

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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