Ocupação
A oposição bolsonarista deve continuar em protesto no plenário e na mesa diretora da Câmara dos Deputados, inclusive neste final de semana, até conseguir o objetivo: que o PL da anistia ao 8 de janeiro e a PEC do fim do foro privilegiado seja pautado pelo presidente da casa, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB). Motta vai acionar o regimento interno e pode suspender o mandato, por até seis meses, dos revoltosos.
Disseminação
Ontem à noite, após embate entre membros da oposição que ocuparam a cadeira da presidência no plenário e Hugo Motta, ele conseguiu abrir a sessão legislativa por volta das 22h30 – duas horas depois do horário que havia estipulado. Mais cedo, Motta se reuniu, em separado, com líderes governistas e da oposição. Nos bastidores, a oposição comemora que conseguiu o compromisso do presidente de pautar a anistia na próxima semana. Informação que não foi confirmada pela mesa diretora.
Radicalização
No Senado, o senador Magno Malta (PL-ES) se acorrentou à sua cadeira e afirmou que somente encerra o protesto após a casa admitir e colocar para tramitar o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e, o PL da Anistia, seja votado na Câmara dos Deputados.
Trabalho remoto
Irritado com a pressão da oposição, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, o senador Davi Alcolumbre (União-AP), emitiu nota ontem informando a sessão plenária desta quinta-feira (7) será remota de forma a garantir o funcionamento dos trabalhos e “impedir que a pauta legislativa, que pertence ao povo brasileiro, seja paralisada”. “Não aceitarei intimidações nem tentativas de constrangimento à Presidência do Senado. O Parlamento não será refém de ações que visem desestabilizar seu funcionamento”, disse.
Sem presença
A Federação União Progressista orientou sua bancada, tanto na Câmara quanto no Senado, a não registrar presença no plenário de ambas as casas no dia de ontem. A aliança partidária vê como legítimo o movimento de obstrução feito pela oposição, mas defende o diálogo entre as instituições.
Avanço
A oposição noticiou ontem que o grupo já conseguiu a 40ª assinatura em favor do impeachment de Moraes, de autoria do senador do Republicanos de Roraima, Mecias de Jesus. Com isso, o pedido está a uma assinatura necessária para que o pleito seja admitido no Senado e passe a tramitar. Para que um ministro do STF seja cassado de suas funções serão necessárias, de fato, 54 votos na votação em plenário.
Apoio
Na saída de um evento da área de saúde, ontem (6), onde estava representando o STF, o ministro Gilmar Mendes – decano da corte – fez uma explícita defesa do colega Alexandre de Moraes. “O Brasil teria se tornado um pântano institucional se não fosse a atuação do Alexandre de Moraes.”
Em vigor
A mega tarifa de 50% em mais de 4 mil produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos passou a vigorar ontem e o governo já tem em mãos um plano de contingência, elaborado pelo Ministério da Fazenda, e que deve ser anunciado nos próximos dias pelo presidente Lula. Entre as medidas está o socorro financeiro às empresas afetadas, como liberação de linhas de crédito, e o aumento das compras governamentais, principalmente de produtos do agronegócio.
Culpa
Ao falar com a imprensa após reunião com o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, ontem, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), responsabilizou a família Bolsonaro pelo tarifaço. Ele disse não ter dúvidas em relação a isso, mas também credita a reação negativa dos Estados Unidos à declarações do presidente Lula em que ressalta o protagonismo do bloco dos Brics e também discursos anti-americanos e críticas ao dólar.
Oh saudade!
Saudade da época em que a dualidade política no Brasil era representada pelo PSDB, que projetou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por dois mandatos consecutivos e o responsável por ter criado a moeda do país, o Real, em vigor há 31 anos. Aliás, o que será que FHC pensa sobre a atual situação política, econômica e institucional do país?