A delação que promete ‘implodir’ Brasília e o país

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Últimos detalhes

A defesa de Daniel Vorcaro, preso acusado de patrocinar uma das maiores fraudes bancárias do país, articula os últimos pontos da delação do banqueiro à Polícia Federal e ao Ministério Público. A expectativa é que ainda neste mês de abril os detalhes sejam fechados e levados à análise. Longe de chegar a um fim, o escândalo do banco Master reverbera em vários setores da sociedade e instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

Prova cabal

O celular do banqueiro, já periciado pela autoridade policial, é uma das principais peças do quebra-cabeça da fraude. Vorcaro sabia o que estava fazendo e agora tem certeza que fez a coisa certa: envolveu nomes poderosos da Justiça e da política brasileira. Ele pode cair, mas vai levar e manchar a imagem de meio mundo.

Enrolados

Alguns desses “figurões” já até se julgaram impedidos de atuar em casos envolvendo o Master, a exemplo do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, que foi um dos palestrantes de evento em abril de 2024 patrocinado pela instituição financeira de Daniel Vorcaro. Outros nomes envolvidos, como os dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF, também têm causando apreensão dentro da instituição.

Ainda não explicou

A negociata entre BRB (Banco de Brasília) e o Master é outro ponto que envolve e deixa numa situação delicada o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), pré-candidato ao Senado. Ele é acusado pela oposição, além de ser citado nas investigações, de ter facilitado e encabeçado um ensaio de compra, por parte do BRB, de ativos do banco Master. Um dos principais críticos, o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF), classificou como um “um assalto aos cofres da população do Distrito Federal.”

Investigação

Ibaneis também entrou no radar da oposição na Câmara dos Deputados. Erika Kokay (PT-DF) e o líder da bancada petista na casa, deputado Pedro Uczai (PT-SC), entraram com pedido à PGR que seja realizada uma investigação contra o ex-governador por ter favorecido essa negociata entre os dois bancos. Ambos protocolaram uma notícia de fato ontem à noite (7) e pedem, ainda, o bloqueio de bens pessoais de Ibaneis.

Novas regras

A transição de governo no pós-eleição é sempre um capítulo delicado, a depender de quem ganha e perde o pleito. Mas, um projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados cria regras e obrigações para esse rito, sob pena de os envolvidos serem enquadrados no rigor da lei. Iniciativa do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), o projeto determina que passa a ser dever da administração que sai do governo facilitar a transição administrativa para o novo governante.

Ofuscada

A CPI do Crime Organizado não será prorrogada no Senado, com encerramento previsto para a próxima terça-feira (14). Não era o que o relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), queria, mas ele não conseguiu sensbilizar o presidente da casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP). O motivo: o ano eleitoral. Faltando três meses para o início das convenções, investigações nesse sentido no Parlamento não cai bem e pode deixar agentes da instituição, da oposição e do governo em saia-justa.

Sonho

Vieira criticou a decisão de Alcolumbre e afirmou ser um “desserviço para o Brasil”. Agora, o senador vai focar seus esforços para que seja autorizada a CPI do Banco Master. O que também não deve vingar, pese as complicações que devem render aos envolvidos, citados e chamuscados pelo escândalo financeiro.

Chaga social

Infelizmente, o feminicídio tem tido uma escalada contínua no país com aumento estarrecedor de assassinatos de mulheres por companheiros e ex-companheiros no início deste ano. O estado de São Paulo responde por um aumento de 31% no primeiro bimestre deste ano, com 56 mulheres mortas, seguido de Pernambuco, com 40 mortes e, do Rio Grande do Sul, com 11 feminicídios apenas no mês de janeiro. Os dados são das respectivas secretarias de seguranças dos estados.

Pioneiro

Lei estadual já em vigor em Roraima proíbe a nomeação de bens e logradouros públicos com nomes de pessoas condenadas por crimes de violência contra a mulher. De autoria da deputada estadual Joilma Teodora (União Brasil), a proposta impede que ruas, avenidas, praças, prédios públicos e outros espaços recebam homenagens a indivíduos condenados por crimes como feminicídio, violência doméstica, crimes sexuais e outras formas de violência de gênero. Boa iniciativa, que deveria ser seguida em todo o país.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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