Sênior
O aumento do eleitorado idoso e a participação cada vez mais ativa nas eleições demonstram, não apenas o envelhecimento do país, mas a capacidade cívica deste público, que pode, sim, decidir uma eleição. Pesquisa do Instituto Nexus, divulgada na semana passada, revela que em 16 anos, esse eleitorado cresceu 74%, passando de 20,8 milhões de eleitores com 60 anos ou mais em 2010 para 36,2 milhões, em março deste ano.
Voto precioso
Os números fazem parte da base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e podem aumentar, levando em consideração que o prazo-limite para a regularização eleitoral finaliza somente no dia 6 de de maio. Mas o dado é sintomático, haja vista que nessas eleições, 23,2% de votantes têm 60 anos ou mais. Os presidenciáveis e aspirantes e a cargos eletivos não deveriam desprezar uma informação tão valiosa no momento de elaborar suas campanhas, marketing eleitoral, programas de governo, projetos sociais, discursos e etc.
Desafio
Se os comandos de campanha estiveram atentos a dados tão preciosos e realizarem uma análise fina dos fatos verão que têm em mãos uma ótima oportunidade de capturar um voto que, até então, era desmerecido ou que passava despercebido. O pulo do gato não será apenas conquistar esse eleitorado, mas sobretudo os que estão dispensados do voto obrigatório: os eleitores 70+. Conforme a pesquisa Nexus, esses votantes representam 16,5 milhões ou 45,5% dos idosos que já estão fora da obrigação formal de comparecer às urnas.
Captura regional
A pesquisa mostra, ainda, outro desafio continental: conquistar esses eleitores específicos das regiões em separado. A Sul e a Sudeste concentram o maior peso, com 23% do eleitorado com pessoas com 60 anos ou mais, com destaque para o Rio Grande do Sul. Já o menor índice se concentra na região Norte, com média de 16,5% de votantes nessa faixa etária.
Aspirantes idosos
De outro lado, dos presidenciáveis que se apresentam no momento, pelo menos cinco estão nesse círculo dos eleitores 60+. O presidente Lula, pré-candidato a reeleição, é o mais velho, com 80 anos de idade, seguido de Ronaldo Caiado (PSD), com 76 anos; Aldo Rebelo (DC), com 70 anos; Augusto Cury (Avante), 67 anos; e Romeu Zema (Novo), com 61 anos de idade. Os demais concorrentes: Cabo Daciolo (Mobiliza), Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão) têm, respectivamente, 50, 45 e 42 anos de idade.
Estratégia eleitoral
Numa análise dos dados, o cientista político e professor da UFRJ, Paulo Baía, publicou um artigo em que reflete esses números, em que afirma categórico que “não se trata de um detalhe estatístico”. “Trata-se de uma mutação estrutural. Os idosos deixaram de ser margem. Tornaram-se centro”, disse. Em sua avaliação, os votantes de 60 a 69 anos e os 70+ são dois universos distintos, com psicologias e ritmos de participação diferentes. “E ainda assim, um mesmo peso simbólico e político.”
Frio na barriga
O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado do presidente Lula para a vaga aberta no STF será sabatinado na próxima quarta-feira (29) na CCJ do Senado. A projeção do presidente do colegiado, o senador Otto Alencar (PSD-BA), é que nesse mesmo dia, a votação aconteça também em plenário. Messias encontra resistência, principalmente entre os senadores da oposição e não vai ser fácil para ele essa semana, na captura daquele voto indeciso.
Saia justa
O senador Izalci Lucas (PL-DF) anunciou que é pré-candidato ao governo do Distrito Federal na semana passada causando um climão dentro do partido, uma vez que a legenda já tinha anunciado apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP-DF). A decisão de Izalci – que precisa ser ratificada em convenção – se justifica, segundo ele, por conta de um cenário eleitoral indefinido no DF. Ele alega possíveis impedidos jurídicos dos principais adversários: Celina, que é investigada na Operação Drácon, e do ex-governador José Roberto Arruda, que tem processo pendente no TSE.
Desejo
Atualmente, o GDF possui sete pré-candidatos ao Palácio do Buriti: Celina Leão, Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo) e Izalci Lucas. Até julho, as intrigas e o disse-me-disse será longo e com muitos capítulos de bastidores.
Vem aí
A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria o serviço telefônico Disque Parente, para receber denúncias de violência e prestar assistência especializada aos povos indígenas. Se o texto virar lei, o canal será gerido pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e receberá o número nacional 231.

