Atraso no Luz para Todos mantém comunidades no escuro no AM, denuncia deputado

Audiência na Câmara dos Deputados cobrou cronograma concreto do programa na região, que tem deixado população indígena isolada

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A demora na execução do programa Luz para Todos no Amazonas foi alvo de críticas durante audiência pública realizada ontem (14) na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, encabeçado pelo deputado federal Sidney Leite (PSD-AM). O colegiado também tratou de tema semelhante referente ao estado de Minas Gerais.

Durante a audiência, o parlamentar criticou a justificativa de que o aumento populacional seria responsável pelo atraso na universalização do serviço na região. Segundo ele, o problema decorre da ausência de execução efetiva das políticas públicas ao longo dos anos.

“Na Amazônia, nós somos mais de um milhão de brasileiros que não têm acesso à energia elétrica, e não é porque aumentou a demanda, é porque não foi feito, e isso causa indignação”, disse.

Sidney relatou que comunidades indígenas e ribeirinhas ainda sofrem com falta de energia, inclusive em áreas onde já existem escolas, acesso à internet e outras estruturas básicas. Segundo ele, quase a totalidade da população indígena aldeada do Amazonas segue isolada do fornecimento elétrico.

Audiência foi realizada na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados (Foto: Divulgação)

O deputado citou casos recentes de comunidades no Alto Solimões que ficaram até 60 dias sem energia por falta de manutenção, como a queima de transformadores, e afirmou que o problema se repete em diferentes regiões do estado, como Tefé, Carauari, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Fonte Boa e Japurá.

Ele também criticou a falta de resultados após o anúncio de retomada do programa feito em 2023 pelo governo federal, durante visita a Parintins, afirmando que, em alguns municípios, nenhuma nova ligação foi efetivada desde então.

Região relevante

Para o parlamentar, há uma contradição estrutural na política energética da região, já que a Amazônia contribui para a geração de energia no país, mas o governo não consegue garantir o acesso básico à própria população. Nesse sentido, defendeu a transição da matriz energética no estado, com redução da dependência do diesel e maior uso de alternativas como gás natural, energia solar e outras fontes locais.

Sidney Leite também destacou que o Amazonas é o segundo estado com maior número de pessoas sem acesso à energia elétrica no país, atrás apenas do Pará, e cobrou medidas mais efetivas para enfrentar o problema. “Nós não estamos falando disso aqui para ter uma pequena marcenaria ou um frigorífico. Nós estamos falando de energia para ter uma lâmpada, uma geladeira. É só isso.”

Atividades econômicas afetadas

O deputado afirmou ainda que a falta de energia limita não apenas a qualidade de vida da população, mas também atividades econômicas básicas, citando como exemplo o potencial da pesca e do turismo em comunidades ribeirinhas que não conseguem se desenvolver pela ausência de infraestrutura mínima.

“Na margem do Rio Negro, um tucunaré na pedra do mercado vale R$ 10. Mas ele vivo vale 150 dólares em função do turismo da pesca esportiva, mas esse dinheiro não chega. Essa energia não chega e a gente passa ano e entra ano nesse debate, sem uma posição concreta”, afirmou.

A audiência reuniu representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além de representantes do setor elétrico, de entidades da sociedade civil e do governo de Minas Gerais.

*Com informações da assessoria de imprensa

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