Escalas de trabalho da ZFM devem entrar no debate da PEC 6×1

Para o relator, deputado Alencar Santana, o modelo industrial possui características próprias e papel estratégico para a economia nacional

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Com uma cartela de mais de 400 empresas de diversos setores e com mais de 130 mil trabalhadores, o Polo Industrial de Manaus (PIM) deve entrar na pauta de debate da Comissão Especial que analisa a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1 no Brasil, em curso na Câmara dos Deputados.

Na primeira reunião do colegiado, nesta terça-feira (5), foi definido um cronograma de trabalho que, além dos debates internos, vai contar com audiências públicas regionais com o setor produtivo dos estados. Único parlamentar do Amazonas membro da comissão, o deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM) apresentou requerimento para que o estado também receba o seminário.

“O Amazonas não pode ficar à margem de um debate dessa dimensão. Estou aqui, como membro titular, para assegurar que a realidade do nosso estado esteja no centro das decisões. Defendemos avanços na qualidade de vida do trabalhador, mas com responsabilidade e equilíbrio, ouvindo quem produz, quem emprega e quem trabalha”, ressaltou.

Deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM) é o único representante do Amazonas na Comissão Especial da PEC 6×1 (Foto: Câmara dos Deputados)

Vianna acrescentou, ainda, que é de extrema necessidade considerar a força da indústria do Amazonas, do comércio e de todos os setores que sustentam a economia regional, para que qualquer mudança preserve empregos, mantenha a competitividade e promova o desenvolvimento local.

O relator da comissão, o deputado Alencar Santana (PT-SP), afirmou que vai analisar a inclusão do Amazonas nos debates regionais e destacou as peculiaridades da Zona Franca de Manaus no contexto das mudanças propostas pelas PECs que defendem o fim da escala 6×1.

Segundo ele, o modelo possui características próprias e desempenha papel estratégico para a economia nacional, sendo responsável por cadeias produtivas relevantes, como o polo de duas rodas, com destaque para a fabricação de motocicletas, além do setor de ar-condicionado.

Outro aspecto que tem sido destacado nas discussões diz respeito ao impacto da escala 6×1 sobre as mulheres, especialmente em razão da sobrecarga decorrente da dupla jornada entre o trabalho formal e as responsabilidades domésticas e de cuidado.

A previsão otimista da comissão especial e da mesa diretora da Câmara é finalizar a primeira etapa dos debates em torno da redução da jornada de trabalho no país ainda neste mês de maio, com a votação do relatório final sobre o tema.

*Com informações da assessoria de imprensa

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