Panos quentes
Aspirante a presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) garantiu a aliados, ontem, que tudo que tinha que vir à tona sobre o seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, acabou e que não tem mais nada para ser revelado. Ele sustenta o discurso com o objetivo de minimizar a desconfiança que já tomou conta em relação ao futuro de sua candidatura presidencial, tanto no seu partido quanto de aliados políticos e empresariais.
Desorientado
Mas, o herdeiro de Jair Bolsonaro tem se enrolado na própria língua e numa confiança política débil. Há uma semana, ele vem tropeçando em mentiras e numa sucessão de erros e informações desencontradas desde que veio à tona o áudio em que pede, claramente, dinheiro ao banqueiro para financiar um filme americano que conta a trajetória de seu pai.
Contra fatos…
Ele fala uma coisa e, minutos depois, matérias e notas jornalísticas sobre mais um capítulo da relação próxima entre o senador e Vorcaro, o desmente. A mais recente foi a informação de que Flávio Bolsonaro havia ido na residência do banqueiro, em São Paulo, no final de novembro do ano passado, tão logo o dono do Master saiu da primeira prisão sob a condição de uso da tornozeleira eletrônica.
…não há argumentos
Confrontando com os fatos, ele não teve outra alternativa senão confessar diante de uma plateia de jornalistas e de aliados. Mas, floreou a justificativa afirmando, categórico, que sua visita ao ex-preso teria sido tão somente para colocar um ponto final na parceria comercial entre eles. Apesar de várias explicações e argumentações, fica cada vez mais difícil o senador convencer que há um distanciamento entre ele, sua família e Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse. As informações que chegam falam outra coisa.
Estrago
Apesar de várias manobras e novas estratégias, o comando da pré-campanha começa a sentir o efeito negativo e o primeiro impacto já começa a aparecer: nas mais recentes pesquisas eleitorais de intenção de voto. Tanto na sondagem da AtlasIntel, divulgada ontem, quanto na da Vox Populi, divulgada hoje, Flávio Bolsonaro caiu, drasticamente, nas inteções de votos no segundo turno, favorecendo um cenário de reeleição com folga do presidente Lula.
Número cabal
Até o dia 13 de maio, dia em que foi publicada matéria jornalística do Intercept Brasil com os áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro a Vorcaro, pedindo dinheiro e muito dinheiro, a competitividade eleitoral do pré-candidato caiu bastante. Se nas pesquisas anteriores ele aparecia com vantagem no segundo turno, empatado tecnicamente com o presidente Lula e com chances reais de vitória, agora, a queda se mostra aparente. A cúpula do PL não acredita e já acionou a Justiça contestando os resultados da AtlasIntel. Pelo visto, terão que fazê-lo com a Vox Populi também.
‘Bombástico’
Durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ontem, o presidente do colegiado, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), lançou mais ingredientes ao grande escândalo de corrupção protagonizado pelo banco Master e favorecido por atores políticos. Ele denunciou que o ex-presidente da Câmara, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), recebeu propina de operadores do Master, do BRB e do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), para assinar e aprovar uma outra emenda, que favorece diretamente o negócio de Vorcaro.
Denúncia
Calheiros afirma que a emenda, apresentada pelo atual presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), obriga fundos previdenciários a investirem recursos em empresas de ativos ambientais e créditos de carbono e atende aos interesses privados de Vorcaro. A proposta – bastante pressionada por um forte lobby no Congresso Nacional – foi aprovada na Lei do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases do Efeito Estufa.
Nome aos bois
O senador dá detalhes da denúncia que gritou em alto e bom som, ontem, na CAE. “Arthur Lira recebeu, através do empresário (Leonardo) Valverde de Brasília, operador do BRB, do Master e do ex-govenrador Ibaneis, uma casa de mais de R$ 30 milhões no Lago Sul e comprou recentemente um jatinho, onde o Valverde é dono de 50% dele”, afirmou. Calheiros acrescentou que a referida lei está sendo questionada no STF e já conta com três votos pela inconstitucionalidade. “Vou exigir investigação até o fim”, frisou.
No páreo
O ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, foi oficialiado na noite de ontem (19) como pré-candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PT, juntamente com a colega de partido, a deputada federal Erika Kokay, pré-candidata ao Senado. Os dois adotaram o lema: “O DF é mais seu!” e fazem frente à governadora do DF, Celina Leão (PP), candidata à reeleição, e ao ex-governador Ibaneis Rocha, que vem ao Senado.
Indústria forte
O mais novo embate judicial contra a Zona Franca de Manaus (ZFM), patrocinado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que questiona judicialmente as vantagens comparativas do modelo econômico na regulamentação da reforma tributária, tem um novo personagem. O ex-senador Arthur Virgílio Neto (MDB-AM) entrou em contato com Paulo Skaf, presidente da Fiesp, para chegar a um diálogo construtivo sobre os direitos da ZFM. “O modelo não é um entrave, mas uma estratégia regional de desenvolvimento”, defendeu.
Direito
O jurista e escritor Max Telesca, respeitado constitucionalista do Distrito Federal, é um dos convidados para o debate em torno do livro “O Poder da Palavra”, do procurador de Justiça de São Paulo, Roberto Livianu, que acontece amanhã (21), na Academia Brasiliense de Letras. A mesa será composta ainda pelos jornalistas Fernando Rodrigues e Eliane Cantanhêde.

