Flávio Bolsonaro, ‘irmão’, o estrago já está feito!

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Telhado de vidro

O ditado popular “diz-me com quem andas, que te direi quem és” é clichê, mas certeiro. Até ontem, o senador e pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL), se esquivava de emitir uma opinião mais direta e crítica sobre o escândalo do banco Master e, até mesmo sobre endossar uma CPI para investigar a fraude bancária e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os fatos (nesse caso, áudios e mensagens), que vieram à tona explicaram tudo.

Produção de provas

O último contato telemático entre os dois personagens se deu na véspera de Vorcaro ser preso, ou seja, o escândalo já estava na rua, as investigações já estavam rolando, mas não foram suficientes para inibir o movimento de Flávio Bolsonaro em acionar um alvo que estava no centro das autoridades policiais e, que carrega consigo, uma bomba-relógio com informações preciosas sobre a operação da maior corrupção da história recente do Brasil.

Desculpas

Flávio sustenta que estava cumprindo o que determinava o contrato, firmado entre as partes para financiar uma cinebiografia sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): cobrando as parcelas restantes. Vorcaro teria pago R$ 61 milhões e restavam mais R$ 73 milhões para honrar o contrato. Ele contesta, ainda, que não estava usando dinheiro e nem financiamento público para a produção.

Filme caro

Chama a atenção o investimento robusto, de 24 milhões de dólares ou o equivalente a R$ 134 milhões, com produção americana e com um ator estrelado, o Jim Caviezel (Paixão de Cristo) no papel principal. Muitas produções independentes e medianas em Hollywood custam mais barato do que “Dark Horse“, título do filme que está sendo traduzido como “O candidato surpresa”.

Arrogância

Roteiro escrito pelo ex-ator e ex-ministro do governo Bolsonaro, Mário Frias, o clã Bolsonaro foi buscar em Hollywood (EUA) o material humano para concretizar a história do militar, deputado federal que integrava o baixo-clero por décadas na Câmara dos Deputados e, que, com uma pegada ostensiva de um comportamento politicamente incorreto chegou ao posto máximo de uma Nação: a presidência da República. Uma biografia escrita teria saído mais barata.

Subiu no telhado

Os mais críticos e opositores do presidenciável já trabalham e massificam o discurso de que sua pré-candidatura está extremamente abalada com esses fatos e que será difícil sustentá-la até julho, quando iniciam as convenções partidárias. Até mesmo aliados admitem essa possibilidade. Mas, quem está aproveitando bastante o impacto que os áudios de Flávio estão causando no processo pré-eleitoral são os presidenciáveis da própria direita.

Punição

Romeu Zema (Novo) chamou de “imperdoável”. Ronaldo Caiado (PSD) cobrou esclarecimentos. O partido Missão, que tem pré-candidato a presidente, vai acionar o Conselho de Ética para cassar o mandato do senador. Psol e Rede também defendem um processo de quebra de decoro parlamentar. O PT formalizou denúncia solicitando quebra de sigilo do senador à PF, PGR e Receita Federal.

Pressão

No meio do fogo cruzado está o Senado que, em menos de uma semana tem dois senadores envolvidos diretamente no caso Master, mas que até agora a mesa diretora, leia-se Davi Alcolumbre (União-AP), não se manifestou. Cresce também a pressão para que a CPI do Master seja instalada, tanto por parte dos governistas quanto da oposição e até mesmo com manifestação pública de Flávio Bolsonaro a favor.

Pra inglês ver

Mas, nos bastidores em Brasília, todos sabem que não passa de jogo de cena, uma vez que não há vontade política nem empenho de parte dos senadores para que a investigação realmente aconteça. Depois de Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro serem ligados diretamente ao caso Master, outros senadores já colocaram a barba de molho e entraram no modo nervoso em relação aos próximos acontecimentos ou descobertas.

Informação seletiva

Quanto à delação que Daniel Vorcaro está negociando com a Justiça, ela pode ficar somente na vontade, uma vez que os dois fatos envolvendo os senadores Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro não foram relatados pelo banqueiro na proposta. Ou seja, ou ele abre o jogo ou não tem acordo. E esse é o medo dos políticos que por ventura estejam envolvidos nessa corrupção, que deixa o mensalão, petrolão e lava-jato no chinelo.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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