Iceberg
A busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), na semana passada, foi o pontapé das investigações da Operação Compliance Zero no núcleo político envolvido no escândalo da fraude bancária BRB-Master, considerado o maior do país da história recente. Nos bastidores, além de Ciro, outros nomes políticos já estão na agulha e no alvo da Polícia Federal, como o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF).
Herança política
Pré-candidato ao Senado, Ibaneis entregou o governo à então vice-governadora Celina Leão (PP-DF) no final de março e, junto com o ato deixou no colo dela o rombo atribuído ao BRB, o banco de Brasília, estimado em R$ 8 bilhões, fruto da transação ilícita e frustrada da tentativa de compra, por parte da entidade bancária, de títulos podres do Master, que já estava em liquidação.
Desespero
Agora, Celina Leão – que é pré-candidata à reeleição – corre da sala para a cozinha para tentar salvar da falência o banco distrital. Ela vem batendo em várias portas, inclusive do Tesouro Nacional e do Palácio do Planalto, para encontrar uma forma de evitar a liquidação do banco. Hoje, o BRB precisa de uma capitalização de R$ 6,6 bilhões.
Fantasma
Há uma grande expectativa sobre o balanço geral do banco referente a 2025 e, quando realmente se terá um número concreto do valor do rombo na instituição. O prazo, dado pelo Banco Central à entidade bancária é até final deste mês. O risco de uma intervenção ou mesmo liquidação é grande e aterroriza as autoridades do Distrito Federal. “É grave. Não sabemos o tamanho do rombo”, diz uma fonte da Coluna ligada ao BC.
Novelo
O ex-governador Ibaneis Rocha tem evitado dar qualquer declaração sobre a transação financeira, cujo escândalo veio à tona em sua gestão. De acordo com as investigações, o político está envolvido até o pescoço com a fraude. Celina Leão tem tentado desvincular qualquer impacto negativo do escândalo à sua imagem e gestão. Mas tá difícil. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apontado por ela como arrogante e vaidoso, está preso e negocia uma delação.
Utopia
E por falar em delação, a do ex-dono do Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, corre o risco de subir no telhado, já que está sendo apontada e analisada pelas autoriades policiais como “seletiva”. Há que se ter muito rigor com delações e, realmente trazer à superfície todos os meandros e detalhes do escândalo, doa a quem doer.
E agora?
A semana inicia no Congresso Nacional, sobretudo no Senado, com grande expectativa sobre o day after da operação envolvendo Ciro Nogueira e como o Parlamento vai tratar o caso. Mas, como sempre há um movimento para despistar a opinião pública, os nobres senadores já miram em outro alvo para desviar o debate sobre esse tema: querem ressuscitar a anistia após o ministro do STF, Alexandre de Moraes, suspender a aplicação da Lei da Dosimetria.
Revoltados
Indignados, políticos da direita, principalmente os bolsonaristas, criticaram em coro a decisão monocrática e, também voltaram à carga a defesa do impeachment do ministro. Em nota distribuída à imprensa no final de semana, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), reforçou que a decisão de Moraes não suspendeu apenas uma lei, mas a vontade popular. Ele pediu uma reação enérgica da Câmara dos Deputados.
Endividamento
O assunto não é novo e o país não tem encontrado soluções fáticas para, pelo menos amenizar, a dívida cada vez mais crescente das famílias brasileiras. Não é só uma questão de educação financeira e planejamento dos gastos. O caso é bem mais crítico, quando se trata de uma taxa de juros absurda, de 14,5% ao ano e impostos cada vez mais alto. O tema foi levado à discussão na semana passada, na tribuna da Câmara dos Deputados pelo deputado federal Sidney Leite (PSD-AM).
Inflação
O parlamentar chamou atenção para uma contradição que considera inadmissível: o Brasil paga juros maiores do que países em guerra. “Nós não podemos aceitar que países que estão em guerra tenham taxa de juros menor do que a do Brasil”, disse. Somente no último ano, o país gastou R$ 1 trilhão com juros, segundo dados oficiais. Ele cobra uma atuação mais incisiva do Parlamento contra a crescente taxa de juros do Banco Central.

