Poder, dinheiro e influência são o que move a política no Brasil

Compartilhe

Perdição

A nova fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal chega ao núcleo político e escancara a rede de corrupção e o tráfico de influência que permeou todo o bastidor da maior fraude financeira do país: o caso Master e, de brinde, o BRB (Banco de Brasília). Alvo principal dessa quinta etapa, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), “amigo de infância” do banqueiro Daniel Vorcaro, representa o personagem principal dessa teia que enredou a negociação.

Toma lá, da cá!

De acordo com as investigações da PF, o senador colocou – literalmente – seu mandato à disposição dos interesses escusos do banqueiro Vorcaro para beneficiar diretamente o banco Master em todas as suas transações, em especial a realizada com o BRB. Mas, como todo negócio tem contrapartida, o aluguel de seu mandato e gabinete (pagos pelo povo), não saiu de graça. Pelo menos R$ 500 mil o senador recebia de mesada, por mês, além de outras vantagens financeiras, como viagens e compras de luxo.

Sem pudor

Uma das lideranças do Centrão no Congresso Nacional, com status de ex-ministro do governo Bolsonaro e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira é o que se diz do político que deu certo nessa trajetória. E também aquele que usou a política como alpinista social, digamos assim: para subir na vida. O ponto central que o envolveu no caso Master para beneficiar interesses privados foi a escandalosa “emenda Master”, apresentada pelo senador, mas elaborada pela assessoria jurídica do banqueiro Daniel Vorcaro.

Negócio

De acordo com as investigações, o único papel de Nogueira foi fazer a ponte, como senador da República, para formalizar na casa a apresentação da emenda à PEC 65/23, cujo texto integral, objetivos, ponderações foram todos elaborados pelo Master e, dentro das instalações do banco sendo, posteriormente enviado dentro de um envelope ao gabinete do senador.

Não colou

E o que dizia a “emenda Master”? A proposta, assinada pelo senador, buscava ampliar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por cliente, o que iria beneficiar diretamente as operações do banco Master. Rapidamente deixou os banqueiros e o mercado financeiro de cabelo em pé e, acabou sendo rejeitada na tramitação da PEC, no Senado.

Negativa

Ciro Nogueira está proibido, pelo relator das investigações no STF, o ministro André Mendonça, de ter contato com os demais investigados no processo. A Coluna procurou o senador para repercutir as denúncias e, em nota, sua defesa diz repudiar qualquer “ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar” e que o senador está à disposição para contribuir com a Justiça. A defesa do senador está nas mãos do escritório do advogado Kakay.

Corrupção

A corte do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou, ontem (6), o ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP-AC), a 25 anos e nove meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. Por meio de seus advogados, ele afirmou que vai recorrer da decisão. Cameli renuniou ao governo do Acre para disputar o Senado nas eleições deste ano.

Ironia

Na solenidade de comemoração dos 200 anos de fundação da Câmara dos Deputados, a casa homenageou os últimos sete presidentes da instituição, que ressaltaram a independência e democracia do Poder Legislativo. Um dos convidados, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (RJ), fez questão de lembrar em seu discurso o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, orquestrado por ele (dizem as más línguas) há dez anos, e a aprovação do orçamento impositivo como marcos de independência da casa junto ao Planalto.

Bastidor

A eleição suplementar em Roraima para escolher o novo governador-tampão, que acontece em 21 de junho, embaralhou a pré-campanha e deu mais gás à disputa para as duas vagas ao Senado pelo estado. Um dos nomes que vem ganhando força é o do deputado federal Duda Ramos (Podemos-RR). Nos bastidores, ele já avalia trocar a candidatura à reeleição na Câmara para disputar o Senado, mas que vai depender das chances reais de vitória.

Disputa concorrida

O Senado deve passar por uma grande renovação na próxima legislatura, pelo menos é o que avaliam analistas políticos. Muito por conta das duas vagas no pleito e, também, por se desenhar uma das disputas mais acirradas ao Parlamento das últimas eleições. Alguns não deverão disputar a recondução do mandato, como o ex-senador Mecias de Jesus, de Roraima, que foi alçado a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR), e o senador Paulo Paim (PT-RS), que já anunciou e confirmou que não vai disputar a reeleição e que irá se aposentar.

É hoje!

O presidente Lula se reúne, logo mais nos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump. Essa é a terceira vez que os dois se encontram, desde que Trump assumiu o governo norte-americano. Na pauta, temas como facções criminosas e relação comercial entre os dois países devem predominar. Mas há quem aposte que as terras raras e os minerais criticos do Brasil podem ser levados à mesa.

 

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

Leia mais

Mais do assunto