Se a eleição fosse hoje….

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Caixa-surpresa

Se a eleição presidencial fosse hoje teríamos um cenário, no mínimo inusitado, e uma reedição da batalha Lula-Bolsonaro de 2022, com uma roupagem nova, na figura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). É o que as dezenas de pesquisas mostram, diuturnamente. Mas, um dado é certo: se a eleição fosse hoje, diríamos que ainda não há uma definição ou cenário claro de quem poderá sair vitorioso das urnas em outubro próximo.

Sonho de consumo

A mais nova pesquisa Genial/Quaest traz, novamente, um cenário de empate técnico num eventual segundo turno das eleições entre Lula e Flávio Bolsonaro, com 42% e 41%, respectivamente. Ou seja, o foco de ambos os candidatos é mirar numa resolução em primeiro turno ou, pelo menos, num desempenho eleitoral impecável.

Embraralhado

O que chama a atenção não são as intenções de votos que os dois adversários têm, tanto nas projeções de primeiro e segundo turno, mas o índice de rejeição que ambos carregam faltando cinco meses para o pleito. Flávio Bolsonaro, segundo a pesquisa, é rejeitado por 54% dos entrevistados, enquanto Lula por 53%. Os números são maiores que as possibilidades de votos, de acordo com os dados da sondagem. As equipes de marketing político terão grandes desafios à frente.

Figurantes

Outro dado se torna cada vez mais claro a cada pesquisa eleitoral que chega ao mercado: a eleição está e será polarizada e os demais presidenciáveis estarão ali, nas urnas, apenas para cumprir tabela, demarcar um território futuro, se fazer presente no imaginário eleitoral ou mesmo, negociar o passe nesse período de pré-campanha.

Voto cobiçado

Somando os eleitores entrevistados que estão indecisos, que votariam brancos, nulos ou que não sabem dá 15%, percentual superior aos 13%, juntando todos os outros aspirantes a presidente da República que aparecem na pesquisa: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Samara Martins (UP), Aldo Rebelo (DC) e Hertz Dias (PSTU).

Vice-presidência

À princípio, Lula deve repetir a chapa de 2022 com Geraldo Alckmin (PSB), como vice. O comando de campanha e o próprio presidente entendem que a dobradinha deu certo e, que, time que está ganhando não se mexe. Já Flávio Bolsonaro e o PL apostavam no senador Ciro Nogueira (PP-PI), como um vice de peso na chapa. Mas, desde a quinta fase da Operação Compliance Zero da PF, em que o político é investigado por facilitar a corrupção do banco Master, a aposta perdeu força.

Aparência

No entanto, a cúpula do PL não quer dobrar o braço e tenta manter o discurso de que Ciro é um bom quadro para a chapa presidencial. Em entrevista à CNN, ontem, o dirigente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que o PL ainda quer o senador no palanque com Flávio Bolsonaro. O que já está totalmente descartado pelo próprio Ciro. Procurado pela Coluna, ele foi seco e direto na resposta: “100% Senado”.

Entrelinhas

Em seu discurso de posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Nunes Marques aproveitou a envergadura e importância do cargo para ratificar, em alto e bom som, a importância da conquista do voto eletrônico e a confiabilidade das urnas eletrônicas, além de combater as fake news durante o processo eleitoral e afirmar que o projeto é manter uma eleição limpa e equilibrada. Entendedores, entenderão!

Deslocado

Presente à mesa de honra da solenidade, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), estava com cara de poucos amigos e se mostrava desconfortável no ambiente. A expressão corporal era óbvia. Além de estar perto do presidente Lula, com quem está atravessando uma fissura política, ainda teve que ver, ouvir e engolir a seco as homenagens e aplausos dados ao advogado-geral da União, Jorge Messias, rejeitado no Senado para a vaga no STF.

Sintomático

Mais cedo, Alcolumbre foi uma ausência bastante notada pela fofoca palaciana no evento oficial dirigido pelo presidente Lula, no Palácio do Planalto, por ocasião do lançamento do Programa Brasil contra o Crime Organizado. Hugo Motta (Republicanos-PB), que dirige a Câmara dos Deputados, estava presente e, sua presença tem sido constante nos atos oficiais do governo federal.

Crime

Pré-candidato ao Senado por Roraima, o ex-governador do estado, Antonio Denarium (PP), tem um novo revés para lidar até às convenções partidárias e as eleições: seu nome foi ligado a um esquema de contrabando de diamantes, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal, por meio de investigação da Polícia Federal. Segundo a PF, a fraude seria encabeçada por um sobrinho de Denarium, Fabrício de Souza Almeida.

Mandato-tampão

E por falar em Roraima, o Tribunal Regional Eleitoral aprovou ontem (12) resolução em que ratifica a eleição suplementar no estado para a escolha do novo governador e vice que irão terminar esse mandato. O pleito está confirmado para 21 de junho e o prazo para inscrição de chapas já está aberto. A disputa tem movimentado o tabuleiro político local e redefinido o cenário das eleições gerais de outubro.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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