O debate sobre fim da escala 6×1 pode se estender além-2026

Compartilhe

Redução da jornada

O governo e a base aliada no Congresso Nacional e até mesmo a presidência da Câmara estão otimistas e trabalham para avançar na discussão e votação da PEC do fim da escala 6×1 ainda neste semestre. Mas, entre querer e poder, o caminho é árduo, longo e espinhoso. Não que a pauta não seja importante e de interesse público, mas justamente porque mexe com interesses empresariais, econômicos e comerciais.

Nomenclatura

As PECs que tramitam na Câmara versam sobre um eixo específico: reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas. No discurso parece pouco, mas para o trabalhador será um ganho na carga horária de trabalho e, para o empresário uma conta que terá que ser calculada por diversas vezes e, com vários fatores, para se chegar a um denominador comum.

Falta consenso

E é justamente nesse impacto que a oposição e críticos da proposta se amparam. Sob essa ótica, cresce o discurso de que o fim da escala 6×1 vai trazer prejuizos para o setor produtivo e, consequentemente, para a parte mais fraca: o trabalhador. No próprio Congresso Nacional, ganha força o discurso e a defesa de que a proposta é uma ilusão e que, ao final das contas, vai penalizar quem precisa do trabalho para viver.

Instável

A comissão especial criada na Câmara tem, em tese, 40 sessões para se debruçar em torno do tema. O prazo pode ser abreviado, haja vista que muitas das preocupações que rondam o empresariado já foram debatidas na CCJ da casa. Mas, na prática, o tema deve ganhar contornos, potencializados com atos da oposição, que pode postergar esse debate pós-eleição e, quem sabe, até para a próxima presidência.

Moeda de troca

Há uma correria nos bastidores, principalmente da base aliada e de simpatizantes do tema, para que a pauta avance, afinal de contas, será um grande ativo em ano de eleição e, de uma eleição extremamente polarizada e delicada. Mas ela não vai avançar com facilidade num momento em que o país atravessa, mais uma vez, uma instabilidade política. A manobra e a articulação terá que ser muito audaz e calçada.

Visita oficial

O presidente Lula deve ir ao Amazonas na primeira quinzena de maio para realizar uma inspeção às obras na rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). À ocasião, Lula deve oficializar a assintura para a licitação das obras de recuperação do trecho do meio, já anunciados pelo governo federal. A BR-319 é uma das principais bandeiras da bancada amazonense em Brasília e, de autoridades locais, mas vem enfrentando diversos entraves, principalmente ambientais, para que realmente saia do papel.

Insegurança jurídica

E por falar na rodovia, mal saiu o edital de licitação do Dnit para as obras na BR-319, ações juridicas já começaram a aparecer. Uma delas é a ação civil pública movida pelo Observatório do Clima que pede à Justiça a anulação do certame. A entidade cobra a realização de um licenciamento ambiental completo. Defensor da reconstrução da estrada, o deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM) veio a público externar sua indignação. “Isso mantém o Amazonas sem alternativa de ligação terrestre e repete o que já vivemos na pandemia e nas cheias e secas históricas.”

Nada certo

Enquanto isso nos bastidores do poder, a cada resultado de pesquisa eleitoral para o cenário presidencial, há um sentimento pertubador que toma conta, tanto de um lado quanto de outro. Embora, as sondagens revelem ora favoritismo de Lula ora de Flávio Bolsonaro, o cenário é tenso e vai requerer muita habilidade, sensibilidade e marketing político-eleitoral de ambas as equipes.

Sem chance

E é justamente com base nesses números que fica claro – pelo menos nesse momento pré-campanha – que uma terceira via é discurso para inglês ver. Podem aparecer dezenas e dezenas de presidenciáveis, que até podem pulverizar o voto na disputa presidencial, mas ao final ela vai continuar polarizada entre o lulismo e o bolsonarismo. Esse entendimento foi verbalizado pelo senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), durante evento com empresários. Para ele, um candidato alternativo nessas eleições e com esse cenário é ilusão.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

Leia mais

Mais do assunto