Alô, Conselho de Ética!
O medo e o silêncio que a busca e apreensão da PF contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), envolvido no escândalo Master, estão fazendo um barulho gritante e assombrando os corredores do Congresso Nacional. As denúncias que pairam sobre um senador da República, expoente de grande força do Centrão, não podem apenas causar perplexidade pela robustez dos atos de corrupção que vinha praticando dentro da instituição pública. Há de ter uma reação contudente do Senado.
Mandato alugado
As ações de Ciro Nogueira, ao colocar seu gabinete à disposição de interesses particulares de terceiros em detrimento de vantagens financeiras ilícitas, o coloca numa situação bastante delicada no campo político. Está claro que ele usou a instituição para fins privado, o que se caracteriza crime de ofício. O Senado é obrigado a tomar uma atitude enérgica e dura, sob pena de perder o que ainda resta de credibilidade perante à sociedade.
Ironia
Exatamente uma semana depois de o Senado, especificamente 42 senadores, ter rejeitado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), numa clara manobra do Centrão e oposição para atingir o Palácio do Planalto, um grande medalhão deste mesmo grupo político é envolvido em um escândalo sem precedentes na história política do país. Pelo que já veio à tona e o que se apurou das investigações, mais robusto que a Lava Jato e o mensalão.
Atitude
Se o Senado rejeitou um advogado, alegando que ele não tinha condições para assumir um cargo público, é justo que esse próprio orgão preze e exija uma conduta ilibada de seus membros e não permitir práticas corruptas, realizadas sob os olhos lenientes de quem comanda e faz parte da instituição. A pergunta que martela: o Conselho de Ética vai tomar alguma medida? A mesa diretora vai se manifestar? Haverá um processo para apurar a conduta do senador? Ciro Nogueira vai renunciar ou vai ter o mandato cassado?
Palavra
Em vídeos recentes do senador, que as redes sociais fizeram questão de resgatar, ele se defende de acusações que já o rondavam sobre o caso Master e afirmava que, se algo fosse comprovado contra ele, renunciaria o mandato. Se o senador tem palavra e honra a instituição que o acolheu e os eleitores que lhe deram voto de confiança, a renúncia seria o primeiro passo para resgatar a sua moral. A questão é que Ciro está num beco sem saída: pré-candidato à reeleição, nesse momento ele não tem muitas alternativas à mesa.
Silêncio
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não se manifestou, oficialmente, até o momento sobre as ações da PF envolvendo um membro da casa. Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara também não. Ciro tem sido apontado como um potencial pré-candidato a vice na chapa do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soltou uma nota genérica dizendo que as denúncias são “graves” e que os fatos têm que ser apurados com rigor e transparência.
Estarrecedor
Integrante do Centrão e ligada ao bolsonarismo, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse à Coluna que está “assustada com tudo”. A parlamentar, nos últimos tempos, têm discordado de muitos fatos e demonstrado insatisfação com acontecimentos negativos envolvendo seu grupo político. O deputado federal André Janones (Rede-MG) não perdeu a oportunidade e foi às suas redes sociais criticar a postura do senador, em seu tom peculiar, principalmente por Nogueira ter se manifestado recentemente ser contra o fim da escala 6×1.
‘Adelante’
As investigações estão em curso e muito ainda há de vir à tona. O fuxico em Brasilia é que, se um “chefão” do Centrão já caiu em desgraça, outros políticos que, por ventura estariam envolvidos nessa negociata poderão ser atingidos. O que tem causado muito medo nos corredores do Congresso Nacional. Quem será o próximo? Como vai acontecer?
Verdades secretas
E toda essa apreensão e tensão nos bastidores tem mais um ingrediente: a delação do banqueiro Daniel Vorcaro, que ainda não teve o aval da PGR e STF, muito porque se mostra uma delação seletiva e incompleta. Vorcaro omitiu o aluguel do mandato do “amigo” Ciro Nogueira, o que pode complicar a negociação e voltar à estaca zero. Os políticos brasileiros que, por ventura, tenham tido alguma participação nessa negociata, estão ansiosos sobre o desenrolar dessa delação.
Investigação
Com esse cenário envolvendo um nome de peso do Senado, envolvendo-o diretamente no escândalo do banco Master, e coloca a instituição numa situação vexatória, os defensores da CPI do Master devem voltar a defender a bandeira, como o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Será se terá força para instalar essa investigação?
Dolce far niente
A Coluna ficou curiosa para saber como foi a reação da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) ao ler as notícias envolvendo o colega em grande escândalo de corrupção. Ambos os senadores tiveram bastante conflitos durante as investigações na CPI das Bets, no ano passado, da qual Soraya era a relatora. Ela chegou a pedir a saída de Nogueira como membro da comissão após vir à tona denúncias de que ele havia viajado em jatinho de dono de bet investigado na CPI. Ao final, o relatório da senadora foi rejeitado e arquivado. Outro indício de que Ciro Nogueira também atuou em favor de interesses privados.

