Com ares de ‘mafioso’, Vorcaro criou uma máfia brasileira para chamar de sua

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Crime organizado

A conclusão do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, é que o escândalo não é mais um dos inúmeros casos de corrupção que assolam o Brasil. Como diz o ditado popular: “o buraco é mais embaixo”. “Aqui há contornos de máfia, há contornos de crime organizado, mafioso, de fuzis, de metralhadoras, de armas raspadas, de infiltração no sistema policial.”

Esquema

Informações robustas, cabeludas e cheias de códigos e segredos fazem parte do relatório da Polícia Federal sobre a Operação Compliance, que investiga a maior fraude bancária do país, com tentáculos em todos os setores da sociedade, e que foram tornadas públicas, ontem, por André Mendonça. Vorcaro engendrou um esquema mafioso de grande envergadura no país, com apoio de políticos de grande poder dentro do Congresso Nacional.

Muy amigos

Fica claro que o poder político, mais uma vez, serviu de lobby para concretizar interesses privados sob a garantia de benesses financeiras altíssimas, a exemplo da grande “amizade” entre o ex-banqueiro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Há ainda benefícios caros para o presidente da Câmara, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB). Contra fatos, fotos e recibos de pagamentos não há argumentos.

Não é IA

As fotos descontraídas, as mensagens privadas, as ordens dadas e os pagamentos realizados não são obras de inteligência artificial, montagens, fake news ou algo do gênero. Elas estão ali, no relatório feito pela Polícia Federal e, o teor das informações tem origem verdadeira:aparelhos telemáticos apreendidos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Como explicar?

Hugo Motta teve diárias pagas em hotel de luxo em Lisboa, quando foi participar de um evento patrocinado pelo ministro do STF, Gilmar Mendes. Ciro Nogueira também estava no mesmo trade. Mas, com o senador da República e com grande influência em Brasília, o pacote foi completo: hotéis, passagens, jatinhos, excursões, jantares e até itens de uso pessoal. Um mundo dos sonhos Ciro e sua companheira tiveram na Europa e Estados Unidos.

Tudo tem preço

Mas todos esses agrados e mimos não foram de graça. Pela investigação da PF, Ciro tinha um papel estratégico dentro desse organograma do Master: atuava pelos interesses do empresário no Parlamento. Trecho do relatório da Polícia Federal aponta que o vínculo entre os dois era bastante próximo, duradouro que ia além de uma amizade. Era algo funcional, instrumental e vantajoso para os dois.

Expressão recorrente

“Estou tranquilo”, assim se manifestou Hugo Motta ao ser questionado por jornalistas, em Brasília, a respeito do envolvimento de seu nome em vantagens indevidas por parte de Vorcawro. “Sempre atuei com tanquilidade. Defendo que as apurações aconteçam da maneira mais isenta e parcial possível. Sempre defendi o bom exercício da atividade parlamentar.”

‘Jamais recebi’

Até o momento, Ciro Nogueira não se manifestou. Quem também teve o nome citado e reagiu com cólera para se defender foi o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele nega com veemência ter recebido propina de R$ 30 milhões do ex-banqueiro.

Recado

“Não serei intimidado, não serei ameaçado, não serei constrangido e nem serei chatangeado. Seguirei exercendo minhas funções com absoluta independência, com firmeza e coragem”, disse Alcolumbre, em pronunciamento na mesa diretora da casa. Ele acrescentou que vai levar sua defesa às últimas consequências, adotando instrumentos legais, judiciais e institucionais. “Quem inventou esse fato será identificado”, reafirmou.

Penalidade

Por unanimidade dos votos da 1ª Turma do STF, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto, além de perder seus direitos políticos, ficando inelegível até 2038, e o cargo público de escrivão, que ocupava na Polícia Federal. A pena cabe recurso. Eduardo reagiu e afirmou que o julgamento foi um “jogo de cartas marcadas”.

Interferência

O colegiado acolheu a recomendação da PGR pela condenação e o voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes. Para a Justiça, Eduardo Bolsonaro praticou crime de coação no curso do processo ao tentar impedir o julgamento e posterior condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o ex-deputado foi acusado de fazer lobby e agir nos Estados Unidos contra a soberania nacional e autoridades brasileiras.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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