O que Vorcaro ainda esconde e que precisa vir à luz em sua delação?

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Estruturas apodrecidas

Se for verdade o que circula nas conversas ao pé de ouvido nos bastidores do poder e que a imprensa capta e divulga a respeito dos “segredos” envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades dos Três Poderes, realmente, o Brasil precisa passar por uma faxina ético-moral para anteontem.

Homem-bomba

A sua segunda proposta de um acordo de delação foi rejeitada pela Polícia Federal, que não divulgou os motivos para a negativa. Mas, aí surge um questionamento? O que Vorcaro ainda está escondendo, que a PF já sabe há muito tempo e que vem chegando a conta-gotas na imprensa? Que tipo de informação ainda falta para convencer os agentes policiais? ou, que tipo de informação é tão bombástica, que precisa ficar na escuridão?

Citados

Desde o início da semana, os meios de comunicação vêm noticiando trechos de delação não autorizada em que citam autoridades políticas de envergadura no país, a exemplo do presidente nacional do União Brasil e da Federação União Progressista, Antônio de Rueda; do presidente do Senado e do Congresso Naciona, Davi Alcolumbre, também do União, e ex-governadores do PT da Bahia, o senador Jacques Wagner e o ex-ministro da Casa Civil de Lula, Rui Costa.

Propina

O poderoso chefe do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, é citado pelo ex-banqueiro por ter recebido a modesta quantia de 30 milhões de dólares, o equivalente a R$ 155 milhões, depositados em contas no exterior. O dinheiro, segundo trechos da delação divulgados com exclusividade pela revista Veja, seria por um pagamento pelo apoio a uma demanda de interesse do Master.

Tráfico de influência?

Alcolumbre distribuiu nota à imprensa negando qualquer relação escusa com o ex-banqueiro e que vai acioná-lo na Justiça. A delação não autorizada fala, ainda, de fundo de pensão dos funcionários públicos do Amapá (base eleitoral do senador), que comprou R$ 400 milhões em títulos podres do banco. O fundo era comandado por um aliado próximo de Alcolumbre, de acordo com a publicação.

Envolvido

Antônio de Rueda, figura política que tem causado toda espécie de sentimentos negativos nos bastidores do poder, segundo apurado pela Coluna, também foi citado por Vorcaro. O dirigente teria recebido repasses milionários do Banco Master por meio do escritório de advocacia ligado a ele. De acordo com informações que circulam na imprensa, Rueda teria sido o responsável pela indicação da antiga diretoria do Rioprevidência, entidade que mais aportou recursos públicos ao Master.

Partido de aluguel

Crítico de Rueda e do que o União Brasil se tornou, o deputado federal Luciano Bivar (MDB-PE) e ex-presidente do antigo partido, lamenta o caminho que a legenda está percorrendo sob o comando do atual dirigente. Em comentário enviado à Coluna, Bivar questiona: “vai restar alguém no União Brasil?”, se referindo a diversos escândalos de corrupção envolvendo Rueda e outros membros do partido.

Facilitadores

Desde que a Operação Compliance Zero da PF chegou às ruas e, em suas diversas fases, muitos nomes do meio empresarial, político e até do Judiciário têm vindo à tona, envolvidos no escândalo financeiro que provocou um rombo bilionário nos cofres públicos. Entre os quais, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL); o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB); e os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de dirigentes estaduais que facilitaram contratos milionários e suspeitos entre as previdências dos estados e o banco Master.

Pílulas de corrupção

Enqanto uma delação robusta e com fatos novos não seja aceita pela PF e homologada pela Justiça, a sociedade vai acompanhando  os bastidores nada republicanos envolvendo as negociatas do banco Master com o poder e se escandalizando em como a trajetória da corrupção no Brasil se tornou “normal” por quem deveria zelar pela ética e a moral.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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