Tarifaço amplia desafios para joias, gemas e folheados brasileiros

Presidente do Sindijoias Ajomig alerta para perda de competitividade, queda nas exportações e risco de fechamento de empresas e demissões

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BRASÍLIA – A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros entrou oficialmente em vigor. A medida, formalizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, é resultado de uma investigação iniciada após o anúncio de uma taxação anterior de 50% feita por Donald Trump em julho de 2025.

O governo norte-americano justifica a aplicação da alíquota alegando que políticas brasileiras ligadas ao comércio digital, patentes e meio ambiente geram concorrência desleal e insegurança jurídica. Durante o processo de negociação, houve atritos, com os estadunidenses reclamando do engajamento brasileiro, enquanto o Brasil apontou falta de clareza e exigências muito prejudiciais para a indústria e a agricultura nacionais.

“Infelizmente a gente vem mais uma vez recebendo esta notícia do tarifaço e é uma notícia que ela não é muito bem recebida para a gente. Ela traz enormes impactos, obviamente negativos para o nosso segmento”, salienta o empresário e presidente do Sindijoias Ajomig, Murilo Graciano.

O representante esclarece, na prática, como isso afeta as empresas mineiras que exportam esses produtos para os Estados Unidos. “Os Estados Unidos sempre foram o primeiro ou segundo maior parceiro comercial do Brasil no setor de pedras preciosas e joias. No entanto, o cenário de altas tarifas em 2025 provocou uma queda de mais de 20% nas exportações, gerando prejuízo e perda de competitividade frente a outros players internacionais. Internamente, esse cenário ameaça uma cadeia de 35 mil estabelecimentos e 170 mil empregos diretos, trazendo o risco iminente de fechamento de empresas e demissões em massa”, aponta.

Em um primeiro momento, o governo brasileiro classificou o episódio como um marco lamentável nas relações bilaterais e chegou a cogitar o uso da Lei de Reciprocidade como resposta. Contudo, a presidência e a equipe econômica optaram pela prudência, solicitando estudos de impacto para evitar que eventuais retaliações causasse o aumento dos preços para os consumidores internos.

Atualmente, a postura oficial dos líderes brasileiros é descartar totalmente a ideia de retaliação de seu escopo de trabalho. A estratégia adotada baseia-se em insistir nas tratativas diplomáticas com os Estados Unidos por meio de respostas técnicas, além de fortalecer a articulação com o setor privado para buscar a abertura de novos mercados internacionais que possam absorver os produtos afetados.

Ainda sobre reação, Murilo articula o que o setor espera das negociações entre os governos e quais medidas de apoio seriam importantes nesse momento para preservar então a competitividade.

“Nós falamos de um perfil de empresas mais vulneráveis diante de cenários negativos iguais a estes aí. Muito por conta de seu tamanho. Então, agora, estamos pressionando o governo federal para sensibilidade com a nossa classe e procurar dar vazão aos nossos produtos. Além disso, precisamos de linhas de créditos diferenciadas ou mais facilitadas para não sentirmos fortemente os impactos com a implementação desse tarifaço”, finaliza Murilo.

*Com informações da assessoria de imprensa

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