Tarifaço coloca em risco o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos

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Crise diplomática

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros exportados àquele país, que somam 37,5% e que já estão em vigor, potencializam a crise diplomática entre os dois países e colocam em risco o próspero comércio bilateral entre estas nações. O governo norte-americano não titubeia em reforçar o protecionismo de sua economia em detrimento da economia de outros países.

Contradição

Numa verdadeira política com atos de imperialismo, o presidente Donald Trump taxou diversos países com justificativas diversas. No caso do Brasil, o pix, a regulação digital e o trabalho forçado foram os argumentos. Mas, o que intriga nesse movimento americano é que, produtos que podem acarretar inflação na economia americana e que são importados do Brasil, foram poupados da sobretaxa. Mais uma vez a política de “eu em primeiro lugar, em segundo lugar, em terceiro lugar e, assim sucessivamente.”

Reação

O Brasil ensaia diversos tipos de contraataque, entre eles aplicar a Lei da Reciprocidade, aprovada em 2025 pelo Congresso Nacional após o primeiro episódio de taxação americana aos produtos brasileiros. Mas, entre querer e poder há um caminho longo que, não passa apenas por fazer valer a lei, mas uma fina inteligência para que realmente a legislação prevaleça. Por enquanto, ela parece que vai ficar apenas como letras no Diário Oficial da União.

Impasse

O governo planeja aplicar a Lei da Reciprocidade, mas age com cautela devido ao momento delicado e, por tabela, um processo eleitoral que se inicia. A indústria também se mostra cautelosa e acredita que não é o caso de se aplicar a legislação. Enquanto isso, empresários dos setores aprovados estão em uma saia justa sobre o futuro dos negócios e das exportações aos Estados Unidos.

Estratégia

Economistas consultados pela Coluna entendem, nesse momento, que uma reciprocidade, se for realmente aplicada, teria de ser estratégico-político, em produtos genuinamente americanos, de base republicana e que realmente tivesse o mesmo efeito do que está acontecendo no Brasil. “Os impostos seriam aplicados nesses produtos, para justamente minar a base de apoio político do presidente Trump”, ressaltou o economista e professor da Universidade de Brasília (Unb), José Luís Oreiro.

Cautela

O economista aposentado do Banco Central, Newton Marques, acredita que é possível fazer algumas retaliações nas importações norte-americandas, também de forma estratégica. No entanto, ele pontua que por ser ano eleitoral no Brasil, isso acaba sendo um empecilho, já que nem todos os empresários afetados com o tarifaço concordam com a aplicação da reciprocidade.

Olho por olho

O que mais preocupa o governo nesse cenário, além da taxação, é o ensaio de interferência americana nas eleições presidenciais do Brasil. O presidente Lula tem declarado que não vai permitir isso. O empresariado se vê numa situação obscura. Para Oreiro, ao taxar os produtos norte-americanos produzidos em estados de maioria republicana, o Brasil devolveria a interferência nas futuras eleições americanas.

Impacto

Embora as sobretaxas estejam pressionando empresários e a economia brasileira, no final do dia, o entendimento é que elas não terão o impacto devastador como se especulava. Oreiro ressalta que, do ponto de vista da economia nacional, as tarifas não vão fazer efeito direto, uma vez que a principal pauta de exportações são produtos primários e os que poderiam ser afetados, não foram tarifados, como a carne.

Presidenciáveis

O final de semana foi de convenções partidárias em todo o país, com destaque para as candidaturas presidenciais de Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). Ambas aconteceram em São Paulo, escolhido estrategicamente por ser o maior colégio eleitoral do país. Flávio se diz o único capaz de derrotar o presidente Lula. Caiado também adotou o mesmo discurso.

Surpresinha

Ao homologar a chapa presidencial puro-sangue do PSD, com Caiado e Gilberto Kassab, o presidenciável direcionou suas críticas ao presidente Lula e a Flávio Bolsonaro. Mas, para o herdeiro de Bolsonaro pai, Caiado pesou a fala. Para ele, Flávio é “kinder ovo” e candidato “surpresinha” e que está perdido nesse processo eleitoral.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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