Cartada da vida
O presidente Lula é oficialmente candidato à reeleição para um eventual quarto mandato. Nos próximos dias, seguindo o calendário eleitoral, o PT deve registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, iniciar a campanha nas ruas e, em todos os meios eletrônicos e digitais. Os próximos dois meses serão decisivos para o desenho do encerramento da trajetória do decano da política brasileira.
Grand finale
Aos 80 anos de idade e com um vigor físico e mental aparentes, Lula sabe que esse momento é decisivo em sua vida. E ele o quer coroar da melhor maneira possível. O recado ficou claro na convenção nacional do PT, neste domingo (2), quando foi oficializado candidato à reeleição ao quarto mandato, mantendo o vice, Geraldo Alckmin (PSB).
Futuro
Decidido a trabalhar incansavelmente à reeleição, o presidente Lula disse em alto e bom som que, num quarto mandato não será mais o “Lulinha paz e amor”, marca que o consolidou e o levou à primeira vitória como presidente da República nas eleições de 2002. Agora, a nova versão será o “Lulinha porreta”. “Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque o básico nós já cuidamos. Agora é a hora de dar um salto de qualidade.”
Marca Lula
Em quase 50 anos de vida pública, o presidente de honra do PT criou uma marca própria, que vai além dos muros do partido. Há um PT e há um Lula. E é justamente essa força que ele construiu, como se fosse um produto de marketing, é que será testada – mais uma vez – nas urnas do país dentro de dois meses. O start foi dado e ele promete ser incansável rumo à conquista do propósito.
Opositor
De outro lado, o maior adversário do presidente Lula no processo eleitoral é um jovem senador, com um pouco mais da metade da idade de seu concorrente e que estreia na disputal presidencial meio baratinado, sem ainda encontrar um lugar que ele possa chamar de seu. Ainda é cedo para ter certeza se Flávio Bolsonaro (PL) realmente é uma ameaça a quem quer permanecer no poder e, aos demais concorrentes.
Inocente útil
Mas, se depender de Ronaldo Caiado (PSD), que tenta se viabilizar como uma via alternativa na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro será “aniquiliado” ainda no primeiro turno da eleição. Na visão de Caiado, o adversário não tem cacife político-eleitoral para chegar lá.
Sentar na janela
Para adversários de Flávio no pleito, o presidenciável terá um caminho árduo e espinhoso para chegar ao poder e, se chegará. Seus concorrentes o veem fragilizado, principalmente pelos acontecimentos no período de pré-campanha, a exemplo de sua relação nada republicana com o ex-banqueiro preso, Daniel Vorcaro. Pesa ainda, o fato de candidato do PL sequer ter um candidato a vice na chapa, faltando dois dias para o encerramento do prazo das convenções.
Aliança de ocasião
Enquanto isso, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi confirmada como candidata ao Senado pelo PL do Distrito Federal. Chama a atenção, no entanto, sua ausência na convenção estadual do partido, neste domingo (2), por estar internada para tratar crises de enxaqueca. Sua candidatura foi lançada de forma remota, pelo enteado, Flávio Bolsonaro. A chapa do PL ao Senado tem ainda a deputada federal Bia Kicis.

