Jogo de cena
A pelo menos duas semanas no Senado, a PEC 6×1 que reduz a jornada de trabalho no país está travada na casa legislativa, não porque é uma proposta delicada, que mexe com interesses dos trabalhadores e empresários, mas principalmente por conta do ego e interesses políticos dos nobres senadores.
Má vontade?
A proposta tramitou de forma célere na Câmara dos Deputados, principalmente por conta do apoio e boa vontade política do presidente daquela casa, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB). Mas no Senado encontra resistências. O que sobrou em Motta, encontra-se escasso em Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado.
Briga de forças
Na superfície, a questão que trava – nesse momento – é a relatoria da matéria. Para quem vai a responsabilidade de analisar, debater e elaborar um relatório que atenda a todos os interesses? O governo quer algum senador aliado, de preferência do próprio PT. Nomes estão sendo colocasos na mesa, como Camilo Santana (CE), Rogério Carvalho (SE), Fabiano Contarato (ES). Também já foi ventilado o nome do senador Omar Aziz (PSD-AM), que foi um dos nomes da CPI da Covid.
Queda de braço
Mas a oposição quer participar do game também. Os interesses, no entanto, não batem com os do governo e nem com os dos trabalhadores. O grupo até protocolou uma proposta que, na prática, desordena a questão da escala trabalhista no país, quando propõe um método 7×0, mesmo eles defendendo uma maior autonomia do trabalhador. É o mesmo discurso adotado por ocasião da reforma trabalhista.
Oposição se articula
O fato é que mais uma semana começa com a expectativa de a PEC 6×1 destravar no Senado. Os nomes apontados pela oposição para assumir a relatoria da matéria passam por figuras mais ponderadas, como Efraim Filho (PL-PB). A queda de braço deve ter novo capítulo na casa até Davi Alcolumbre bater o martelo sobre o escolhido para a missão.
Perguntar não ofende
Mas, será se Alcolumbre também está com vontade e senso político de avançar com essa pauta no Senado ou vai usá-la como moeda de troca e carta na manga na negociação do governo?
Novo round
A semana também inicia com outro debate sobre o fim da jornada de trabalho, mas na Câmara dos Deputados. É que agora, aquela casa legislativa vai analisar a proposta que veio do governo, no mesmo sentido da que foi aprovada mês passado pelos deputados, mas de matérias da lavra legislativa. O deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA) foi mantido como relator da matéria, novamente.
Trump, na pauta
O presidente Lula está na França para participar da Cúpula do G7 e, possivelmente, ter um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Antes, Lula teve uma reunião com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, em Genebra. Na pauta, o comércio bilateral e exportações entre os dois países.
Quem viver, verá!
A um mês para o início do recesso parlamentar e das convenções partidárias, onde as candidaturas para as eleições deste ano serão ratificadas, o Congresso Nacional e o meio político encontram-se em polvorosa para fechar alianças, chapas, apoios, e definir estratégias de markenting político-eleitoral. A tensão é grande no Parlamento, mas nos estados, o caos está praticamente instalado.
Encantado
O acordo de delação que a defesa de Daniel Vorcaro tenta com a Polícia Federal e o STF está travado e, pelo andar da carruagem, deve ficar apenas na vontade do ex-banqueiro preso. Não se sabe se as informações que ele repassou são mais do mesmo ou, se realmente, têm poder de implodir a República. Diante da dúvida, parece que há um acordo invisível de que é melhor deixar do jeito que está. Será?

