MANAUS – Muito além do espetáculo cultural e da tradicional disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, o Festival Folclórico de Parintins consolidou-se como um dos maiores motores da bioeconomia e da atividade industrial do Amazonas. O diagnóstico é do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus (Siam), que projeta um impacto econômico altamente positivo para o setor de alimentos e bebidas na região neste mês de junho.
Para a liderança empresarial do setor, o evento funciona como uma vitrine global para o aproveitamento sustentável dos recursos da floresta, gerando um efeito multiplicador que começa nas comunidades ribeirinhas e se estende até as gôndolas e restaurantes.
Durante o período festivo, a demanda por insumos regionais como açaí, guaraná, cupuaçu e castanha-do-brasil atinge o seu ápice, impulsionando fábricas locais de polpas, bebidas, doces e petiscos saudáveis.
“Parintins é o exemplo prático de que a bioeconomia na Amazônia não é um conceito abstrato, mas uma realidade que gera emprego, renda e novos produtos de alto valor agregado”, afirma a presidência do Siam.
“O festival valida o modelo de industrialização que caminha lado a lado com a floresta em pé, transformando recursos renováveis em riqueza distribuída”, acrescenta Pedro Monteiro, presidente do Siam.
Desafios logísticos no interior
Apesar do otimismo com as vendas, a entidade patronal ressalta que o evento também expõe os históricos gargalos de infraestrutura do estado. O transporte de toneladas de alimentos processados e bebidas de Manaus até a Ilha da Magia, feito majoritariamente por via fluvial, exige um planejamento estratégico rigoroso e eleva os custos operacionais das empresas.
O sindicato defende que a superação desses desafios depende de investimentos robustos e permanentes em portos modernos, frotas de embarcações eficientes e na regularidade do fornecimento de energia elétrica no interior do estado, fundamental para a conservação de insumos em câmaras frigoríficas.
Legado perene
A grande meta do setor produtivo para os próximos anos é transformar o aquecimento econômico sazonal de Parintins em um legado duradouro para o Amazonas. O Siam propõe a criação de mecanismos que atraiam investimentos contínuos para a agroindústria no interior, incluindo a capacitação de produtores locais e a certificação de origem dos alimentos amazônicos.
A descentralização industrial é apontada pelo sindicato como um caminho viável para fixar o homem no campo com dignidade e criar novas matrizes econômicas complementares ao Polo Industrial de Manaus (PIM). Segundo a entidade, ao industrializar o que a terra produz de melhor, o Amazonas prova ao mercado global sua capacidade de conciliar preservação ambiental com vanguarda industrial.
*Com informações da assessoria de imprensa

