Cortina de fumaça
A semana está em banho-maria em Brasília e vai terminar assim, pelo menos aparentemente. Na superfície, nada de extraordinário, mas nos bastidores há uma tensão em torno de muitos conflitos paralelos que rondam os Poderes. Nesta quarta-feira (24), por exemplo, é esperada a grande conversa entre o presidente Lula e o senador Jacques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
Mudança, já!
A pressão no entorno do presidente é forte para que ele destitua Wagner da liderança. O senador é apontado como um dos beneficiários do esquema envolvendo o banco Master, que veio à tona na semana passada, após nova fase da Operação Compliance da Polícia Federal.
Amigos, amigos…
Wagner não quer sair por livre e espontânea vontade. Se apega na amizade de mais de 40 anos que possui com o presidente Lula para não sofrer o revés. Mas, ele, como um político experiente, deveria saber que na área em que milita nem sempre a amizade sustenta grandes escândalos. Nesse caso, recuar seria uma decisão mais acertada e republicana.
Mediano
Aliás, como líder do governo no Senado, Jacques Wagner vem deixando a desejar há muito tempo. O cargo parece mais título de ostentação do que o realmente preconiza. Vide as inúmeras derrotas que o Planato vem sofrendo no Senado, especificamente. Sem força para aplacar o trator rebelde da oposição e as vontades da mesa diretora.
Onde há fumaça
O nome de Jacques Wagner, assim como do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e de outros políticos não apareceram à toa nas investigações da Polícia Federal envolvendo o banco Master, de Daniel Vorcaro. Não são obras de ficção, nem de inteligência artificial. Portanto, há fogo e o fogo está ardendo.
Compadrio
Enquanto isso, o Senado passa em brancas nuvens o tormento causado pelo escândalo de corrupção do Master envolvendo alguns de seus pares. Nada de Conselho de Ética, nada de investigação, de manifestação. Parece que tudo está normal. Assim caminha a política brasileira.
O salvador!
Flávio Bolsonaro, presidenciável, está empenhando esforços para rever, pessoalmente, com o governo norteamericano a questão das novas tarifas impostas aos produtos brasileiros exportados para a terra do Tio Sam. Dizendo ele que vai articular diretamente com a autoridade americana a revisão desses pontos. Ele aposta nisso como um trunfo político de sua pré-campanha.
Crescimento
Um dado interessante divulgado pela Eletros, entidade que reúne fábricas do setor eletroeletrônico do país, mostra um crescimento vertiginoso do consumo das famílias de equipamentos da linha branca e portáteis. Nos cinco primeiros meses deste ano, o setor cresceu 11% em relação a igual período do ano anterior. A retração se deu, no entanto, na comercialização de condicionadores de ar, que havia batido todos os recordes nos dois anos anteriores.
Alerta amarelo
Mesmo com o cenário otimista, a direção da entidade alerta para as taxas de juros, a inflação, a renda comprimida e o elevado endividamento das famílias como fatores que podem limitar o crédito e o ritmo de expansão do setor nos próximos períodos.
Recado ao governo
Em nota, a Eletros afirma que defende uma agenda que inclua simplificação de regras, previsibilidade regulatória, estímulos à eficiência energética e hídrica, acesso amplo e diversificado a insumos competitivos e políticas de incentivo à substituição de eletrodomésticos por modelos mais modernos e eficientes, com ganhos para consumidores, indústria e meio ambiente.

