BRASÍLIA – As articulações do PL e do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, (PL-RJ), em torno de uma aliança política e de um nome para disputar a vice-presidência em sua chapa não prosperaram e o comando da campanha teve que encontrar uma solução interna: anunciaram na manhã desta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para o cargo de vice, em chapa “puro-sangue”.
“A pessoa que tem que ser o meu vice é aquele vice que não volta pra cena do crime e dá mão para o criminoso. Então, tenho muita honra de anunciar aqui Alfredo Gaspar”, declarou Flávio.
A decisão foi anunciada em declaração à imprensa nesta manhã, último dia de prazo para a realização de convenções partidárias. Antes, Flávio afirmou que divulgaria o nome do vice até 15 de março, mas antecipou a escolha para evitar risco de judicialização sobre o cumprimento do prazo.
Alfredo Gaspar foi relator da CPMI do INSS, uma das maiores fontes de desgaste do atual governo Lula. O parlamentar atuou no Ministério Público. Na terça-feira (4), Alfredo havia lançado sua candidatura ao Senado por Alagoas.
Em sua primeira fala, o agora candidato a vice-presidente lamentou a ausência do pai, já falecido, e de Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar. Ele declarou que a escolha é uma grande honra e enalteceu sua origem nordestina.
Também se comprometeu a ser parceiro de Flávio e ter “lealdade e gratidão”, além de “coragem” para enfrentar a corrupção e o crime organizado.
“Vossa Excelência (Flávio) escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho e honrado. Chegou aqui de cabeça erguida para dizer que ao seu lado marcharei para gente transformar esse Brasil num local justo e decente”, disse Alfredo.
O deputado também agradeceu a mãe, a esposa e mulheres que foram cotadas anteriormente para o cargo de vice. O aceno mira o voto feminino e faz parte de uma tática da campanha do PL para vencer a rejeição existente com esta faixa do eleitorado.
Chapa pura sem centrão
A definição de chapa pura, formada por integrantes do mesmo partido, ocorre após o PL não conseguir fazer coligações com outras legendas. Siglas do centrão optaram pela neutralidade na corrida presidencial.
PP, União Brasil, Republicanos e Podemos rejeitaram uma aliança formal com o PL. Apesar disso, integrantes de peso destes partidos declararam que vão apoiar Flávio. É o caso do presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Na semana passada, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) aceitou convite e colocou seu nome à disposição para compor a chapa de Flávio, mas não obteve o aval do PP para formalizar a composição.
Outro nome barrado para a chapa foi o de Daniella Marques, recém-filiada ao Republicanos. Ela era cotada por ter trânsito com o mercado financeiro e com o setor empresarial. O Republicanos, no entanto, também decidiu em convenção que não teria candidatos na chapa presidencial e não comporia coligações nacionais.
No ato desta quarta, Flávio e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, destacaram que, mesmo sem o apoio formal do centrão, contam com o endosso de integrantes estratégicos dessas siglas.
*Com informações da CNN

