MANAUS – Com mais de 30 anos de experiência no mercado de pesquisas eleitorais, o empresário e publicitário Durango Duarte tem uma leitura mais aprofundada e qualificada das diversas sondagens que têm sido divulgadas desde o início do ano para o governo do Amazonas. E ele é taxativo: não são apenas oscilações de números, o cenário está embaralhado e, somente uma vaga está definida, hoje, para a disputa do segundo turno no estado.
Até o momento, essa vaga atende pelo nome do pré-candidato Omar Aziz (PSD-AM), que tem alcançado a liderança em praticamente todas as pesquisas já divulgadas até agora. Se antes, pontua Durango, o desenho era de uma campanha polarizada entre o senador e a empresária Maria do Carmo Seffair (PL-M), que disputava com força os números, com a entrada do governador-tampão, Roberto Cidade (União-AM), na disputa, esse cenário sofreu uma reconfiguração profunda.
Numa análise fria dos dados, o publicitário afirma, categórico, que o caminho até às eleições não será de flores para nenhum dos competidores e, tampouco, para as coordenações de campanha. A entrada de Cidade a partir da pesquisa Veritá, em 23 de abril, quando alcançou 9% das intenções de voto, obrigou a todos a refazerem seus cálculos.
Confira abaixo a análise de Durango sobre as últimas pesquisas e acontecimentos pré-eleitorais no Amazonas, enviadas ao Viés Político.
Para compreender a real força de cada candidatura nesse novo tabuleiro, o caminho estatístico mais seguro foi isolar as seis pesquisas do segundo período e recalcular os dados sob a ótica exclusiva dos votos válidos. Ao expurgar os picos atípicos de cada candidato por meio de uma média aparada de cinco rodadas, descartando os 39,8% de Omar na Census, os 41,3% de Maria na AtlasIntel, os 20,8% de David na IPEN e os 22,5% de Cidade na Action, o panorama geral se estabilizou.
O resultado matemático desse esforço analítico apontou Omar Aziz com 35,3% dos votos válidos, seguido por Maria do Carmo com 27,0%, enquanto David Almeida e Roberto Cidade apareceram na rabeira com 16,9% e 16,0%, respectivamente. Nessa reta final, David Almeida consolidou-se como o candidato com a maior estabilidade da disputa, apresentando a menor volatilidade estatística do bloco ao registrar três marcas idênticas de 17,0% brutos consecutivas nas pesquisas Census, Action e Comunidados, oscilando apenas dentro de uma banda rígida e previsível.
A tradução desses índices percentuais em números absolutos de eleitores dá uma dimensão mais tátil e realista do tamanho dos desafios que se impõem na busca por uma vaga no segundo turno. Adotando a convenção de que cada 1,0% de intenção equivale a exatamente 20.000 votos, a primeira grande constatação é a sólida vantagem mantida pelo líder da disputa. Omar Aziz ostenta uma distância linear de 8,3 pontos percentuais em relação à segunda colocada, o que se traduz em uma frente exata de 165.600 votos, uma margem robusta que o coloca em uma posição de relativa estabilidade institucional enquanto assiste ao embate direto de seus adversários.
Logo abaixo, a segunda fronteira da corrida eleitoral separa Maria do Carmo de seu perseguidor mais imediato, o (ex) prefeito David Almeida, revelando um hiato numérico de 10,2 pontos percentuais. Mesmo tendo enfrentado uma visível desidratação em seus índices na reta final, onde caiu de 38,0% brutos na AtlasIntel para 16,0% na IPEN, a candidata acumulou uma gordura importante ao longo do mês.
Essa diferença média de desempenho representa uma barreira de 203.200 votos, um patrimônio político significativo que funciona como uma blindagem estatística temporária para assegurar sua presença em uma eventual segunda etapa do pleito.
O verdadeiro ponto de estrangulamento e o maior foco de tensão da disputa, contudo, residem na frágil linha que divide a terceira e a quarta colocações do ranking de válidos. A distância média que separa David Almeida do ascendente Roberto Cidade é de apenas 0,9 ponto percentual, uma margem milimétrica que equivale a meros 18.000 votos de diferença no universo total.
Trata-se de um contingente eleitoral extremamente reduzido, menor do que a população de muitos bairros de Manaus, o que coloca ambos os candidatos em uma situação de igualdade virtual e transforma a reta final da campanha em uma disputa voto a voto.
Essa proximidade extrema ganha contornos ainda mais dramáticos quando se observa a tendência de fechamento do período, onde a última fotografia capturada em 26 de maio pelo instituto IPEN mostrou os três candidatos de oposição em um empate técnico absoluto nos votos válidos.
Naquele levantamento final, Maria do Carmo registrou 20,8%, David Almeida cravou os mesmos 20,8% e Roberto Cidade encostou com 19,5%, deixando a amplitude de intervalo entre o segundo e o quarto lugar em escassos 1,3 ponto percentual, ou seja, apenas 26.000 votos.
Diante de um ecossistema político tão comprimido, qualquer oscilação residual terá o poder de redefinir o destino das 18.000 almas que separam David e Cidade na média histórica recente.

