Coelho da cartola
Flávio Bolsonaro, a família e os aliados políticos estão comemorando uma grande conquista: a canetada do Departamento de Estado dos Estados Unidos, chancelada pelo presidente Donald Trump, enquadrando as facções criminosas Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas globais. Para o grupo, foi uma tacada de mestre num momento em que a pré-candidatura de Flávio está ameaçada pela “amizade” nada ortodoxa entre ele o banqueiro preso, Daniel Vorcaro.
Articulação
A decisão dos Estados Unidos, anunciada ontem pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, aconteceu quando Flávio ainda estava em solo americano, um dia após ele posar em foto oficial com o Donald Trump, na Casa Branca. Em suas redes sociais, o presidenciável classificou como “grande dia”. E, vai usar a conquista como um ativo político-eleitoral nessa nova etapa de sua pré-campanha presidencial.
Diz-me com quem andas…
O Comando Vermelho e o PCC, de fato, são grupos criminosos extremamente perigosos, que ditam regras na periferia brasileira, mas também, segundo investigações, vêm ampliando seus tentáculos na economia e política do país. Prova, são dezenas de políticos, principalmente do Rio de Janeiro – reduto eleitoral de Flávio – envolvidos com narcotraficantes e até financiados por eles, como deputados estaduais e vereadores fluminenses presos em recentes operações da Polícia Federal.
…que te direi quem és!
E o que dizer a Operação Carbono Oculto, que tem ligação direta entre o PCC e a Faria Lima, reduto dos poderosos empresários de São Paulo e, quiçá do país, que movimentam bilhões de reais para lavar o dinheiro criminoso dessas facções. De fato, os entes federativos perderam o controle no combate à criminalidade, principalmente quando se vê notícias de que governos estaduais têm relações exdrúxulas e estreitas com o crime organizado.
Ameaça?
Mas segurança pública tem que ser tratada no âmbito da soberania nacional. De acordo com especialistas e analistas em Relações Internacionais, essa decisão dos Estados Unidos acaba tendo uma linha muito tênue e ameaçando a autonomia brasileira em tomar decisões no combate ao crime organizado, além de colocar em risco a soberania nacional. Abre uma brecha, segundo esses mesmos analistas, para os Estados Unidos interferir no país, como o fez na Venezuela, Colômbia e México.
Efeitos
Ainda é cedo para ter realmente uma ideia dos efeitos e consequências que a decisão pode ter no Brasil. Assim como tarifaço de Trump em 2025, arquitetado pelo deputado cassado, Eduardo Bolsonaro, que está foragido nos Estados Unidos há mais de um ano, causou um efeito reverso para a economia do país, assim essa classificação de terrorista para essas facções também podem ter um efeito negativo à economia, como avaliam alguns economistas. Porque a decisão não é apenas do ponto de vista da segurança pública, ela envolve diversos outros setores, inclusive, o da economia.
Imaturidade política
Ah, mas o que realmente importa à família Bolsonaro e aos aliados mais fiéis é a questão política. O que o grupo quer é embaralhar o processo político-eleitoral no país, forçando uma interferência explícita de um outro país numa eleição regional. O que pode não acontecer exatamente como estão planejando. Assim como o tarifaço, essa “bala de prata” pode sair pela culatra.
Pediu pra sair
Claudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, jogou a toalha e desistiu de disputar uma das duas vagas ao Senado pelo estado. A decisão foi anunciada ontem (28), após ele ser alvo de nova operação da Polícia Federal, a segunda em menos de um mês. Castro, que é do PL, mesmo partido de Flávio e aliado do presidenciável, tem sido apontado em investigações de participar do esquema do Master (Daniel Vorcaro) e até mesmo de estar envolvido com facções criminosas, como o CV, já enquadrado em grupo terrorista.
Tábua de salvação
Depois de correr da sala para a cozinha, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), conseguiu fechar um acordo com a União para salvar o Banco de Brasília (BRB) da falência. O plano prevê um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões, que deve ser feito via Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O valor é o tamanho do prejuízo deixado pelo escândalo do Banco Master. O acordo foi homologado pelo ministro do STF, Luiz Fux. Celina fez um agradecimento público ao presidente Lula.
Destaque
A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) é a parlamentar mais bem avaliada do país, segundo o Ranking dos Políticos, ferramenta que monitora o desempenho anual dos congressistas brasileiros. Em primeiro lugar, ela recebeu a nota 9,10; seguida do deputado federal Alex Manente, do Cidadania-SP, com 8,84. Em terceiro lugar no ranking aparece o senador Efraim Filho (PL-PB), com nota 8,83. Ele ficou em primeiro lugar entre os senadores mais bem avaliados.
Crescimento
Dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 1,1% no primeiro trimestre deste ano. Em valores correntes, a economia brasileira totalizou R$ 3,3 trilhões no período. O agronegócio foi a principal mola propulsora desse avanço.

