O ‘jabuti’ americano no meio da ofensiva bolsonarista nos EUA

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Paz ameaçada

Menos de uma semana após o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) posar em foto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca e o governo americano enquadrar as facções criminosas do Brasil em organizações terroristas, o governo norte-americano anuncia novas tarifas à produtos brasileiros exportados para a terra do “Tio Sam”, além de renovar a ameaça à liberdade econômica do pix.

Apreensão

Após comemorarem como se fosse vitória em jogo final de Copa do Mundo o resultado da visita de Flávio a Trump, agora os bolsonaristas e, principalmente o senador presidenciável, estão preocupados com um eventual efeito negativo à pré-campanha em relação à imposição da nova tarifa de 25%, anunciada pelos Estados Unidos à produtos brasileiros. Temem que o fato tenha a mesma repercussão do ano passado, quando a ofensiva de Eduardo Bolsonaro acabou sendo um tiro no pé.

Reação

Para se descolar de um revés, Flávio e sua equipe já traçam estratégias para se blindarem de uma possível acusação de ter agido contra os interesses do país em solo americano (como se tivesse ido entregar o ouro ao bandido). O senador cuidou em publicitar de que pediu a Trump que não taxassem mais empresas brasileiras. Fica difícil de acreditar nesse discurso, uma vez que a medida americana acontece justamente pós-encontro entre os dois políticos.

Novo tarifaço

A medida da vez é uma nova tarifa, de 25%, sobre mercadorias brasileiras exportadas aos Estados Unidos, como uma espécie de penalidade ao Brasil. Relatório de investigação americana aponta que a economia brasileira realiza práticas comerciais desleais e, o grande exemplo para os americanos são as transações comerciais feitas pela modalidade pix.

Contrariados

Para os Estados Unidos, o Banco Central age de forma dupla e desleal, sustentam que a adoção do pix é injusto e discriminatório e que, empresas norte-americanas estariam sendo prejudicadas, justamente as que atuam com pagamentos digitais. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A taxação deve passar a vigorar a partir de julho.

Em xeque

As emendas parlamentares e seu modus operandis voltaram a ser tema de debate entre autoridades. Dessa vez, no 14º Fórum de Lisboa. Quem trouxe o tema ao palco foi o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que criticou a forma como esses recursos federais são manipulados, atualmente, no Congresso Nacional. “Do jeito que está, não dá”, disse o dirigente.

Exemplo

A crítica é pertinente, uma vez que as emendas acabaram virando ações paroquiais de congressistas em seus redutos eleitorais e, não em detrimento de um projeto de governo presidencialista, que é o regime adotado no Brasil. No entanto, Kassab, como presidente de um partido que tem representantes no Congresso Nacional, deveria iniciar essa mudança de dentro para fora, orientando e cobrando seus filiados sobre a forma correta da divisão das emendas parlamentares. Se todo presidente de partido fizesse sua parte, seria meio caminho andado.

Termômetro

A eleição suplementar em Roraima, prevista para acontecer no dia 21 deste mês, adianta um cenário praticamente prevísivel das eleições gerais de outubro. Os eleitores vão às urnas em duas semanas para escolher um governo-tampão, em que deverá ser confirmado o governo interino atual, na figura do presdidente da Assembleia Legislativa, deputado licenciado Soldado Sampaio (Republicanos-RR), que conta com o apoio de uma ampla coligação e das principais forças políticas do estado.

Cenário

E, pelo andar da carruagem e as recentes decisões da Justiça Eleitoral, a eleição deverá ser de W.O. Os adversários de Sampaio estão impedidos de fazer campanha eleitoral por não terem se desincompatibilizado de cargos públicos no prazo estabelecido. A ação foi movida pela coligação de Sampaio e atendida em decisão do ministro do STF, Flávio Dino. Com isso, os candidatos do PL, Arthur Henrique, e do PT, Antônia Pedrosa podem ficar de fora da disputa. O PT já trocou nomes da chapa. O PL aguarda julgamento de recurso.

Incólume

Enquanto isso, no meio de tantos conflitos e acontecimento políticos e econômicos que assolam o país, o Conselho de Ética do Senado e o próprio presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), praticamente viraram a página sobre os atos do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que vieram à tona no caso Master, envolvendo sua atuação parlamentar em interesses privados. Nenhuma palavra, nenhuma declaração, nenhum posicionamento.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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