Dito isso
Depois de semanas pressionado por todos os lados e recebendo mensagens de vários interlocutores sobre temas sensíveis ao Senado, como CPI do banco Master e a tramitação célere da PEC 6×1 na casa, o presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), bateu na mesa e deu um recado claro, direto e preciso: “O Senado não é uma casa carimbadora de propostas votadas na Câmara dos Deputados”.
Não vai ser assim
A declaração é em resposta à pressão para que o Senado debata, vote e aprove a PEC que reduz a jornada de trabalho no país em 30 dias. Negativo, disse Alcolumbre. A proposta vai tramitar nas comissões da casa, conforme determina o rito. O cronograma será definido na próxima semana, em reunião no Colégio de Líderes e com a presença do presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA).
Posição
Na justificativa, Alcolumbre argumentou que a mesma proposta tramitou cinco meses na Câmara dos Deputados e, que o mesmo debate não pode ser apressado no Senado, uma vez que o tema é de extrema relevância para o país e muito sensível a todos os setores da sociedade. “Sou a favor do debate, do diálogo e da construção de um entendimento sobre o assunto”, acrescentou.
Poder nas mãos
Com esse posicionamento, o presidente do Senado ganha tempo para negociar com o Planalto e, vice-versa. Mas, sem deixar evidente que pode ser uma presa fácil em ceder às pressões. Alcolumbre bate no peito e deixa claro ao governo federal, aos aliados e a quem simpatiza pela aprovação da matéria que não vai ser do jeito que eles querem, mas conforme as regras que ele pretende estabelecer.
Indefinido
Em pouco mais de um mês, o Congresso Nacional entra em recesso e, quando retornar, em agosto, é o tempo que se inicia a campanha eleitoral e, provavelmente, um recesso branco no Legislativo. Um período em que todos estarão dormindo e acordando pensando e agindo em prol de suas respectivas reeleições e de seus aliados nas bases regionais e, aparecendo pouco nos trabalhos legislativos aos quais foram designados.
Ver pra crer
Analistas políticos e a imprensa em geral podem ser acusados disso ou daquilo, de ceticismo, de pessimismo, de cobrança exagerada ou de mostrar e revelar mais do que deve. Mas, a verdade é que esse é um comportamento comum em todo ano eleitoral e, nesse não será diferente. Se o Palácio do Planalto e aliados políticos sonham em aprovar essa matéria ainda neste semestre, vão ter que agir e agir rápido.
Manobra
É fato que o Congresso Nacional não possa ser “casa carimbadora” de um e de outro e nem “maria vai com as outras”. O discurso, vendo por essa ótica é pertinente. Mas, acaba sendo incoerente quando se analisa a trajetória do Parlamento brasileiro, principalmente quando se estão na mesa propostas que legislam sobre causas próprias. O que dizer da dosimetria/anistia, da derrubada de vetos presidenciais, como o do licenciamento ambiental; do decreto do IOF entre tantas outras matérias que tramitaram de forma célere na casa e que, realmente, precisaria de um debate mais sério, aprofundado e sem pressa.
Investigação sutil
Outro tema que pode cair no limbo do esquecimento é uma comissão parlamentar sobre a fraude do banco Master e o envolvimento de nobres parlamentares nesse grave escândalo de corrupção. Pode cair, mas se depender do senador Renan Calheiros (MDB-AL), não cairá. Como presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da casa, ele está realizado um trabalho de apuração sobre o impacto da fraude na economia e nas instituições bancárias do país.
Pedra no sapato
Calheiros rechaça o título de que esteja investigando o Master como se fosse uma CPI, mas de forma inteligente ele não está deixando o assunto morrer dentro do Senado Federal. Na sua avaliação, a emenda apresentada pelos deputados Hugo Motta (Republicanos-PB) e Arthur Lira (PP-AL), em projeto que tramitou na Câmara sobre a regulamentação do mercado de carbono e que beneficia os negócios de Daniel Vorcaro é mais grave que a “emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Na área
Em manifestação em suas redes sociais, o senador alagoano afirmou que a “a CAE é a única instância do Congresso Nacional que investiga o escândalo do Master. Denunciei essa emenda publicamente diversas vezes e conseguimos uma vitória importante: a Justiça derrubou a emenda Master. Logo as investigações se aproximarão do IPREV de Maceió”. O recado, todos sabem, foi direcionado a Arthur Lira.
Ainda não acabou
E o Flávio Bolsonaro gente? Ainda tem mais fatos para ele explicar sobre a irmandade com o banqueiro preso, Daniel Vorcaro. Mais mensagens vieram à tona, em matéria jornalística do site The Intercept Brasil, em que ele faz novas cobranças a mensageiros de Vorcaro sobre o pagamento dos milhões ao filme Dark Horse.
‘Tariflávio’
Ah, e mesmo que o presidenciável rechace, negue e distribua nota à imprensa, tá difícil dissociar de sua imagem e viagem aos Estados Unidos, as novas tarifas ao Brasil anunciadas pelo governo norte-americano. Uma outra já está nos holofotes: a que penaliza o país numa taxa de 12,5% por prática de trabalho forçado em setores da economia.

