As pesquisas eleitorais sempre foram um mal necessário em todas as eleições e, esse quadro não deverá mudar tão cedo. A depender de quem está em vantagem ou desvantagem, elas sempre serão questionadas, sejam em instâncias inferiores quanto superiores.
No pleito de 2026 não será diferente. E, talvez, seja uma eleição onde a credibilidade e a imparcialidade dos métodos, metodologias e afins das dezenas de institutos e empresas de pesquisas sejam as mais escrutinadas da história recente do processo eleitoral brasileiro. E tudo por conta da “bendita” polarização que tomou o Brasil de assalto há quase dez anos.
Vejamos: enquanto o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecia competitivo nas últimas pesquisas de intenção de voto, estava tudo bem. Bastou ele apresentar uma queda brusca na preferência dos entrevistados na pesquisa Atlasintel, após o episódio do áudio em que cobra dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para o comando de sua pré-campanha e o seu partido contestarem na Justiça Eleitoral os métodos usados pela empresa.
Como vivemos numa democracia, é justo que a parte que sinta contrariada ou ludibriada questione legalmente os fatos. É muito justo. A ação recebeu uma liminar favorável do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques – que suspendeu a divulgação da pesquisa – e o mérito começou a ser julgado na corte eleitoral. Mas, com o pedido de vista da ministra Estela Aranha, o julgamento foi paralisado até que ela o devolva à pauta.
Pois bem. Nesta quarta-feira (10), uma nova rodada de pesquisa eleitoral foi divulgada, desta vez do instituto Genial/Quaest, que também faz um recorte negativo em relação ao desempenho do presidenciável do PL, tendo como pivô a sua “amizade” com Vorcaro, nada republicana.
Então, baseada nessa nova pesquisa, em que Flávio Bolsonaro recebeu 29% contra 39% do presidente Lula no primeiro turno e, 38% contra 44%, no segundo turno, respectivamente, além de 56% dos entrevistados rejeitarem o filho de Jair Bolsonaro nas urnas, a sondagem será contestada judicialmente?
Assim como Flávio e companhia contestaram a pesquisa Atlasintel e o poderão fazê-lo com outras, assim também o comando da pré-campanha do presidente Lula, em algum momento, irá contestar o resultado de pesquisa desfavorável. É o ciclo natural de um processo eleitoral.
Um exemplo claro que isso poderá acontecer é em relação à pesquisa Gerp, divulgada ontem (9), em que apresenta um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro sobre o presidente Lula num eventual segundo turno. Nessa sondagem, o liberal venceria com 44,7% das intenções de voto, contra 39,1% do petista.
Pesquisas eleitorais, de opinião, de mercado e afins são recortes do humor do entrevistado ou do assunto que esteja mais em evidência naquele momento. Não é uma verdade absoluta. Ela influencia, claro, nortea, mapea e mostra rumos que podem ser tomados, organizados ou recalculados pelo comando de campanha numa eleição.
E, sempre serão levadas em consideração na martelada final do marketing político. Não é ver pra crer. É matemática pura e análise fria dos fatos.
Flávio Bolsonaro, em vez de apenas contestar a metodologia e querer barrar uma pesquisa feito no âmbito do estado democrático de direito, deveria pegá-la como ensinamento para ver o que pode mudar e reavaliar em sua trajetória pré-eleitoral.
Assim também o presidente Lula, quando as sondagens apontam desgaste e grande desaprovação de seu governo e rejeição ao pré-candidato.
Nesse casos, a inteligência e a habilidade política é o que “salvam” os mais astutos.

