O xadrez político que Michelle Bolsonaro está jogando

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Recuo esratégico?

A crise familiar entre os Bolsonaros ganhou novo capítulo, ontem (30), após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entregar sua renúncia da presidência do PL Mulher. Em nota divulgada à imprensa, ela justifica a decisão em nome da família, que se retira da função pública nesse momento delicado para cuidar do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de sua filha.

Crise não aplaca

A decisão veio com surpresa no entorno do PL, mas era algo que muitos esperavam pese a extensão do conflito familiar que saiu dos muros internos para movimentar a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Embora Michelle tenha afirmado que a decisão saiu após reflexão com o Bolsonaro pai, a crise não esmorece e, a depender de como será conduzida, pode até piorar à medida que a campanha eleitoral se aproxima.

Perdido

A exposição da mágoa que Michelle Bolsonaro tem dos filhos do marido era tudo que o presidenciável não precisava nesse momento, em que sua pré-campanha passa por um fase delicada e, a Coluna ousa afirmar que, no frigir dos ovos, essa candidatura pode até não acontecer. As convenções partidárias iniciam em 19 dias e vão até 5 de agosto. Até lá, saberemos se Flávio Bolsonaro vai ter cacife para manter seu nome no páreo da disputal eleitoral.

Confusão política

Com a decisão de Michelle, de se retirar momentaneamente do cenário político, aliados e eleitores bolsonaristas se perguntam se a pré-candidatura dela ao Senado está descartada ou até mesmo um ensaio de uma pré-candidatura presidencial, como já havia sido cogitada anteriormente. O que se passa internamente na cabeça dela, da direção do PL e do seio familiar, somente eles sabem. A única certeza é que, no meio desse conflito, quem mais perde é o próprio Flávio Bolsonaro.

Sintomático

O fato é que as trapalhadas protagonizadas por Flávio Bolsonaro em sua pré-campanha tem refletido diretamente em seu desempenho nas diversas pesquisas eleitorias que têm sido divulgadas nos últimos 30 dias. A de hoje, a da AtlasIntel/Bloomberg, por exemplo, mostra que o presidenciável é rejeitado por 53% dos entrevistados. Ele só perde para o deputado federal Aécio Neves (PSDB), que recebeu 54% de rejeição e, com quem está empatado tecnicamente.

Difícil para todos

A mesma pesquisa mostra que o presidente Lula aparece em terceiro lugar em nível de rejeição entre os entrevistados, com 48,6%; seguido de Jair Bolsonaro (PL), com 45,2%, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com 43,2%. Ronaldo Caiado (PSD), registra 38,6%, e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), 38,5%.

Polêmica

Lembram daquele projeto de lei que quer facilitar a educação domiciliar de crianças e adolescentes em idade escolar, o homeschooling? Pois é. Ele voltou a movimentar o campo de conflitos entre direita e esquerda no país, mas agora no Senado, onde a proposta está parada desde 2022, após ser aprovada na Câmara dos Deputados.

Novo conflito

Uma das principais bandeiras do governo Bolsonaro, a educação domiciliar gerou, à época, um debate estrondoso sobre os prós e contras deste tipo de de ensino e até que ponto pode ser benéfico (ou não) para os estudantes. Agora, a oposição no Senado, apresentou um pedido de urgência para destravar a votação da matéria naquela casa.

Fora da disputa

Tá difícil o ex-governador de Roraima, Antônio Denarium (PP), sustentar e homologar sua candidatura ao Senado pelo estado nas convenções partidárias. Ele foi declarado inelegível por 8 anos pelo TSE, que ratificou decisão anterior em que sua chapa foi cassada pela Justiça Eleitoral por compra de votos nas eleições de 2022. Com isso, o cenário para a disputa ao Senado por Roraima muda totalmente de figura e, novos nomes poderão se ver com chances de empreendê-la.

Festa

Pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, o ex-deputado distrital Leandro Grass, do PT, vai comemorar seu aniversário, que foi dia 20 de junho, com uma grande festa julina no próximo dia 4, em um clube em Brasília. A entrada é gratuita e o objetivo, segundo ele, é reunir amigos e apoiadores para uma grande celebração. “Não poderia deixar passar sem receber o abraço de quem tem me dado tanto suporte para os desafios que vamos enfrentar pelo bem do DF”, afirmou.

Longevo

Neste 1º de julho de 2026, o Plano Real, uma das principais apostas para salvar a economia da era pós-Collor, completa 32 anos de implantação, e se consolida na história das moedas brasileiras. Implantado no então governo de Itamar Franco, o plano foi a principal peça política para a ascenção e eleição do então presidenciável, Fernando Henrique Cardoso. Desde lá, muitas águas rolaram debaixo dessa ponte e muitas crises e cenários prósperos aconteceram.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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