sexta-feira, julho 4, 2025

Uma guerra fria entre os Poderes traz perigo para a governabilidade do país

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O caldo entornou

De repente, de “amigos de infância”, os presidentes dos Legislativos federal e do Executivo se tornaram estranhos entre si, a ponto de levantarem uma guerra para defenderem seus posicionamentos. O governo diz que tem razão. O Congresso Nacional também. E no meio desse embate deve entrar o Judiciário que, a depender do ponto de vista dos envolvidos, pode incendiar ainda mais o conflito.

Governabilidade

Com esse cenário tenso e bélico, a governabilidade do país fica ameaçada. O Planalto deve ajuizar nesta terça-feira (1º) uma ação no STF contra a derrubada do IOF. O Congresso Nacional já mandou recado que, se isso acontecer, a situação de enfrentamento deve piorar. Para os mais críticos, o Parlamento está esticando a corda e agindo em tom ameaçador.

Parlamentarismo

Para alguns analistas, Câmara e Senado agem como se o Brasil tivesse um sistema parlamentarista. E como se Hugo Motta (Republicanos-PB) fosse um primeiro-ministro. Mas o Brasil ainda é uma República com o sistema presidencialista. E a regra da independência dos Poderes ainda está válida e determinada dentro da Constituição Federal.

Em tempo

Aliás, o parlamentarismo é um sonho antigo de uma parcela que hoje trabalha no Legislativo federal. Na gestão Arthur Lira (PP-AL) na Câmara, chegou-se a dar andamento a discussões, debates e projetos neste sentido. Lira é um dos grandes simpatizantes desse sistema e, de certa maneira, tentou aplicá-lo enquanto estava, de fato, no poder.

A conta

Enquanto brigam entre si e medem força, projetos de relevância para o país ficam paralisados no Congresso Nacional. Os congressistas querem retaliar o governo para tentar livrar-se das críticas da opinião pública. O governo empurra a responsabilidade deste cenário hostil para o Congresso e, ao final das contas, o crescimento do país que é discurso fácil em todos eles, fica em terceiro plano.

Quem manda?

Todos queremos saber: quem manda no país? o governo, a oposição ou o Centrão? Na última década, este último grupo político tem dado as cartas e embaralhado o cenário político brasileiro. A pergunta está lançada.

Realidade

O fato é que a articulação política do Planalto é falha, fraca e sem estratégia, criando uma Torre de Babel interna, que reverbera externamente, deixando o governo à deriva e restando uma alternativa nada ortodoxa: ceder de forma indigna à sanha congressista.

Referência

Muitos políticos podem até torcer o nariz sobre os efeitos desta legislação, mas a Lei da Ficha Limpa ainda é um mecanismo eficaz para tirar de circulação da vida pública aspirantes e experientes políticos que não coadunam com as boas regras da etiqueta pública. Ao completar 15 anos que foi transformada em lei, é um momento oportuno para a sociedade refletir sobre sua grande importância, defendê-la e mantê-la viva. Doa a quem doer!

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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