A soberania brasileira referendada na força do voto

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Combustível

No último ano, desde que o governo norteamericano impôs sobretaxas altíssimas à economia brasileira, com o intuito de desestabilizar o país, nunca uma palavra ganhou tanto apelo e tanto destaque no discurso político e social: a soberania. E foi essa mesma nomenclatura o pano de fundo para os acontecimentos políticos deste segundo turno, que culminou na vitória acachapante do presidente Lula, na noite de ontem (25), quando se abriram as urnas de todo o país.

O medo…

Não apenas petistas, lulistas, progressistas ou centro se uniram numa mobilização nacional histórica, que tinha um único objetivo: virar o jogo eleitoral neste segundo turno. A estratégia deu certo. Mas a leitura que se extrai desse acontecimento não é apenas a força política que o presidente Lula e seus aliados mais diretos demonstraram ao vencer esta eleição, mas um medo incontrolável e inaceitável de uma família tomar conta do poder e mudar os rumos já estabelecidos de uma Nação.

…do bolsonarismo

O medo ao bolsonarismo foi maior do que qualquer patriotismo direitista forjado em discursos coléricos, ofensivos e de ataques, que se proliferaram com uma intensidade absurda nos últimos 45 dias de campanha e, com maior ênfase nas últimas três semanas do segundo turno. É como se, de repente, uma parcela da população que estava anestesiada, acordasse atordoada dos efeitos do bolsonarismo anterior e o que uma nova roupagem dessa ideologia poderia causar se Flávio Bolsonaro (PL) fosse eleito neste domingo (25).

Arrogância política

Ao não reconhecer o resultado das urnas, contrariando seu próprio discurso quando foi interpelado a respeito em entrevista em rede nacional, o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, reforça a prática bolsonarista de ser, inaugurada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por ocasião das eleições de 2022 e o que vieram depois. Bolsonaro filho quer a anulação do pleito e vai defender a tese de fraude com unhas e dentes. Mas, pelo discurso e ato do presidente do TSE, o ministro Kássio Nunes, a bravata de Flávio e aliados não deve prosperar.

É tetra

Após o TSE oficializar a reeleição do presidente Lula, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de seu adversário, ganhou coro nas ruas e nas redes sociais o bordão futebolístico, criado pelo narrador esportivo Galvão Bueno por ocasião do tetracampeonato do Brasil. Aos 80 anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva entra para a história mundial como o único estadista a conquistar quatro mandatos presidenciais num intervalo duas décadas e meia.

Cereja

À propósito, essa vitória é um verdadeiro presente de aniversário para o presidente, uma vez que seu natalício se comemora nesta terça-feira (27), dois dias depois do resultado das eleições do segundo turno. Lula vai poder comemorar mais tranquilo, mas ciente das batalhas que terá que enfrentar até a posse, em janeiro de 2027 e, consequentemente, nos próximos quatro anos.

Lula-Alckmin

A chapa presidencial Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, pode-se afirmar sem sobra de dúvida, que é a dupla que deu certo. Há alguns anos improvável, inclusive ambos foram adversários numa eleição presidencial, Alckmin acabou sendo um pêndulo fundamental na eleição do Lula3 e agora no Lula4, reforçando que a figura do vice-presidente deixou de ser figurativa desde a posse dos dois, em janeiro de 2023.

‘Gratidão eterna’

Lula já declarou sua gratidão ao deputado federal André Janones (Rede-MG), apontado como fundamental no segundo turno e no processo de virada, encabeçada por ele por meio do canal digital “Exército do Lula”. “Quero agradecer ao Janones, nosso general, que teve um papel exponencial, de levantar todo dia a moral da nossa tropa”, disse o presidente reeleito, em seu primeiro discurso após a vitória eleitoral, ontem (25).

E agora, Flávio?

A partir de 31 de janeiro de 2027, o advogado Flávio Nantes Bolsonaro deixa a vida pública, com o fim do seu único mandato de senador da República. Volta a ser um cidadão comum, mas com o fantasma das denúncias de corrupção e processos judiciais que lhe circundam. Dizem as más-línguas que ele deve repetir o mesmo roteiro do irmão, Eduardo Bolsonaro, e procurar abrigo em solo americano com a família. Será!

Novos governantes

Além do presidente Lula, o segundo turno tornou conhecidos seis novos governadores de estado onde tiveram a segunda etapa eleitoral: Acre, com Mailza Assis (PP); Amazonas, com Omar Aziz (PSD); Distrito Federal, com Celina Leão (PP); Espírito Santo, com Lorenzo Pazolini (Republicanos); Rio Grande do Norte, com Cadu de Lula (PT); e Tocantins, com Vicentinho Júnior (PSDB).

Força política

E por falar nessas eleições estaduais, a Coluna destaca o protagonismo dos novos gestores do Amazonas e Distrito Federal. O senador Omar Aziz entrou para a história política local ao se eleger com mais de 1,2 milhão de votos válidos e retornar ao poder após 12 anos em que encerrou seu mandato de governador e, oito anos após sofrer uma grande derrota eleitoral justamente para o governo daquele estado. Já no DF, Celina Leão se consolida como a primeira governadora mulher eleita pelos eleitores locais. Ela estava no mandato, após assumir a cadeira com a renúncia de Ibaneis Rocha, da qual era vice-governadora.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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