PEC 6×1, agora está nas tuas mãos Davi Alcolumbre!

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Vai esticar a corda?

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), entendeu rápido o apelo político que a redução da jornada de trabalho no país está tendo em pleno ano eleitoral e não quis correr o risco, ainda mais depois de estar com a imagem bastante arranhada. Ele cumpriu a palavra e votou, em tempo recorde o fim da escala 6×1 na casa legislativa. Agora, a matéria vai ao Senado e, em Brasília, governo e situação esperam a mesma postura de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. E aí?

Medir forças

A tensão política entre Senado, leia-se Davi Alcolumbre e o Planalto, leia-se presidente Lula, ainda é forte e evidente. O embate político não terminou e a tramitação e votação da PEC 6×1 naquela casa pode ser um novo foco de tensão entre as duas instituições. O que não deveria, porque no meio dessa briga estão os interesses da população, a responsável por eleger políticos para um mandato eletivo para representá-los nas esferas de poder.

Utopia

O desenho traçado pelo governo e por Hugo Motta é que o Senado acelere a votação da matéria na casa, assim como foi na Câmara, e que a proposta seja aprovada em até 30 dias para ser promulgada antes do recesso parlamentar, marcado para começar em 18 de julho. Esse é a ideia, mas entre querer e poder há um caminho a ser percorrido e negociações a serem feitas.

Manobra

O plenário da Câmara aprovou a PEC já quase nos últimos minutos da noite de 27 de maio. No mesmo momento, a oposição no Senado (muitos ligados ao setor produtivo), rascunhavam uma outra proposta, que vai totalmente contra a que foi aprovada pelos deputados, e a protocolaram na mesa diretora do Senado. Em síntese, o texto defende que definições sobre a jornada e escala de trabalho sejam estabelecidas mediante acordo individual entre empregado e empregador, convenção coletiva ou livre pactuação contratual direta.

Mais do mesmo

Ou seja, nenhuma mudança expressiva nessa proposta da oposição no Senado. O que se percebe é a manutenção do status quo atual. Será se esses senadores e o Senado em geral vai pagar essa fatura eleitoral de postergar, atrasar, dificultar e menosprezar a força popular em defesa da redução da jornada de trabalho?

Pelo ‘sim’

Enquanto um grupo de senadores se movimenta para contrapor a PEC 6×1, outros, como Paulo Paim (PT-RS), já anteciparam seu voto favorável à matéria. O petista, inclusive, tem afirmado que essa é uma pauta que ele trava há mais de 40 anos ao lado de sindicatos e centrais sindicais. “Sempre defendi que o trabalhador merece dignidade”, afirma.

Apoio

Com 513 deputados federais, a PEC 6×1, que apensou propostas apresentadas pelos deputados federais Reginaldo Lopes (PT-MG) e Érika Hilton (Psol-SP), recebeu 472 votos a 22 no primeiro turno e, 461 votos a 19, no segundo turno. Teve bancadas federais que votou em peso em favor da proposta, como a do Amazonas, com seus oito representantes.

Entendeu rápido

Um dos principais promotores para que a PEC fosse aprovada em tempo recorde, Hugo Motta viu nessa matéria uma forma de limpar sua barra com a sociedade, após uma sucessão de erros e decisões errôneas que ele praticou em 2025 e início deste ano, que abalaram a sua imagem perante ao eleitorado. Ele foi esperto. Abraçou a pauta, fez acordos com o Planalto e teve boa vontade política na Câmara. Ontem, após a aprovação, ele afirmou que reduzir a jornada de trabalho é “promoção da saúde”.

Com a palavra

E o nobre senador, Davi Alcolumbre, vai pagar para ver?

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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