Todo ano eleitoral nasce uma minirreforma que beneficia partidos políticos

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Mesmo rito

A cada dois anos acontece algo peculiar no Congresso Nacional: meses antes das eleições, Câmara e Senado avançam em projetos de lei que se autoclassificam como “minirreforma eleitoral”. Podem acompanhar, caros leitores. É uma prática que se tornou lugar-comum no Parlamento e que, invariavelmente, o resultado é sempre positivo para os nobres parlamentares.

Pacote de bondades

Pois em 2026 não foi diferente. A Câmara dos Deputados acabou de aprovar o projeto de lei 4822/25, do deputado federal Pedro Lucas (União-MA), que flexibiliza algumas regras e obrigações de partidos políticos, entre os quais punições financeiras, dificultando mecanismos de cobrança adorados pela Justiça Eleitoral a legendas que infrigem a legislação eleitoral. A matéria, agora, será analisada pelo Senado.

Causa própria

Um dos pontos dessa nova minirreforma está a proteção “presenteada” a partidos surgidos de fusões ou incorporações, que passam a ficar blindados de bloqueios e penhoras ligados a dívidas anteriores das siglas originais. Ou seja, novas legendas se livram de dívidas, passivos e condenações eleitorais. dos partidos originais, um verdadeiro convite para burlar regras já estabelecidas. Aliado a isso, os débitos, que antes tinham prazo de 12 meses para serem quitados, agora podem ser parcelados em até 180 meses.

Polêmica

Essa semana o presidente Lula atualizou, por meio de decretos, novas regras para as big techs, o suficiente para gerar um novo ponto de conflito entre apoiadores e opositores da medida e correntes políticas de oposição e situação. Uma delas é em relação à responsabilização em alguns casos, mesmo sem ordem judicial para remoção de conteúdo. O outro decreto traz medidas para a proteção das mulheres contra a violência na internet.

Efeito

As reações foram imediatas. O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, elogiou a medida e a classificou como “avanço civilizatório”. O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) disse que é uma “censura” às redes sociais. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou um projeto de decreto legislativo para sustar o decreto presidencial que, segundo ele, cria riscos de censura indireta e autocensura nas redes sociais. É o novo conflito do momento.

Pivô

Aliás, conflito é o prato principal da política brasileira. E o Parlamento, o berço de bate-bocas memoráveis entre os representantes do povo. Ontem, durante sessão conjunta do Congresso Nacional, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protagonizou uma discussão com Flávio Bolsonaro sobre o caso Master/Vorcaro.

Cobrança

Lindbergh instou o senador a se retratar e explicar sua relação com o ex-dono do banco Master, que veio à tona há uma semana após áudios se tornarem públicos em que Flávio pedia dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Tá saindo senador Flávio? Você sobe à tribuna e não fala na da sobre isso? Como se nada tivesse acontecido”, questiona o deputado.

Bla bla bla

Flávio, do plenário, rebateu a fala de Lindbergh que estava na tribuna: “quem tem que dar expicações é o seu chefe”, se referindo ao presidente Lula. “O que ele estava fazendo naquela reunião secreta para ajudar o banco Master com o Banco Central? O Lula é sócio, conselheiro ou amigo?…”

Acirrada

A disputa pelas duas vagas ao Senado no estado de Alagoas promete capítulos icônicos à medida que a campanha eleitoral se aproxima. Pesquisas recentes no estado apontam a liderança do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que tem grandes chances de sair reeleito para o quinto mandato consecutivo. Agora, a segunda cadeira, conforme as sondagens eleitorais, está indefinida entre os deputados federais Alfredo Gaspar (PL-AL) e Arthur Lira (PP-AL).

Ringue

Arthur Lira é o principal adversário político de Renan. E uma derrota do deputado ao Senado será a cereja do bolo para o senador e a síntese daquele ditado: “a vingança é um prato que se come frio”. Renan não teme o embate com Lira e, sempre que pode, deixa bem claro seu posicionamento, como a mais recente denúncia que fez contra o deputado, acusando-o de receber vantagens de Daniel Vorcaro e operadores financeiros, após aprovar uma emenda que favorecia os negócios do banqueiro.

Valéria Costa
Valéria Costa
Jornalista, com 25 anos de profissão. Já atuou em veículos de comunicação em Manaus (AM) e Brasília (DF), na cobertura dos principais assuntos nas diversas editorias do jornalismo, com ênfase em política e opinião.

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